Está no ar o novo Cultura e Mercado, publicação que acompanha há dez anos o desenvolvimento das políticas culturais e do mercado. Seu projeto editorial, aqui publicado sob a forma de Manifesto, é um chamado à sociedade civil, que precisa participar mais ativamente no destino das políticas culturais do país.

 

A CULTURA E A FUNÇÃO POLÍTICA DA CULTURA

A idéia de cultura, sempre cunhada conforme as visões políticas de cada tempo, detém em si as chaves dos sistemas de poder. Chaves que podem abrir portas para a liberdade, para a eqüidade, para o diálogo. Mas também podem fechá-las, cedendo ao controle, à discriminação, à intolerância. Pensar a função política da cultura no mundo contemporâneo significa revisar os parâmetros das relações sociais e econômicas que fomos capazes de construir.

Há dez anos Cultural e Mercado acompanha o cenário das políticas culturais no Brasil. Vem construindo uma rede ativa de colaboradores e leitores. Agentes preparados e dispostos a pensar e atuar com base em novas possibilidades, mais complexas, lúcidas, plurais e condizentes com a real situação do humano e seu habitat, em constante ameaça e crescente destruição.

Em busca de novos paradigmas para lidar com essa complexidade, Cultura e Mercado atua diante das seguintes premissas:

– expor as contradições do nosso processo civilizatório e seu atual estágio.

– assumir a cultura como a amálgama capaz de oferecer uma visão complexa dessas contradições.

– propor novas formas de construir sistemas sociais capazes de lidar com essas contradições, tendo a ética como princípio norteador.

Ao longo desses anos, Cultura e Mercado passou por diversas reestruturações, sempre buscando abrir canais de expressão. Nunca pensou o leitor como um agente passivo e suas propostas de discussão, opiniões e interpretações como idéias prontas, por mais que admitisse partir de um determinado ambiente geográfico, com referenciais ideológicos e sociais definidos e declarados. Foi planejado para ser ferramenta de diálogo entre os profissionais da cultura e desses com os poderes público e privado.

Com o intuito de enriquecer ainda mais esse diálogo, Cultura e Mercado lança-se à blogsfera e inaugura uma nova plataforma, apropriando-se do dinamismo e da ampla interatividade que as novas ferramentas podem oferecer. Com  um banco de dados com aproximadamente 4 mil textos e milhares de acessos diários, consolida-se como a principal voz do mercado cultural.E como protagonista neste cenário, habilita-se para:

– pensar novas agendas políticas para o país, capazes de lidar com os desafios do mundo contemporâneo.

– atuar na articulação dos setores governamentais, sociedade e mercado, em torno dessas agendas.

– desvendar a cultura como ponto de partida, como meio de construção dessas agendas e como eixo central dos novos paradigmas de desenvolvimento.

Para atingir seus objetivos programáticos Cultura e Mercado mune-se de informação pontual e precisa, análise arrojada e diversidade de idéias e propostas. A participação democrática por meio de posts, comentários e intervenções diretas, é celebrada como o principal elemento garantidor da capacidade de desenvolver olhares diferentes para a construção conjunta de um projeto consistente para a cultura no Brasil e no mundo.


Pesquisador cultural e empreendedor criativo. Criador do Cultura e Mercado e fundador do Cemec, é presidente do Instituto Pensarte. Autor dos livros O Poder da Cultura (Peirópolis, 2009) e Mercado Cultural (Escrituras, 2001), entre outros: www.brant.com.br

12Comentários

  • Marcos, 6 de maio de 2008 @ 12:17 Reply

    Acho legal que Cultura e Mercado seja renovado, mas acho uma pena que nem todo o arquivo dos anos anteriores esteja aqui disponível para consulta. Seria interessante que vocês disponibilizassem, por exemplo, as entrevistas que eram publicadas na seção Perfil.

  • Leonardo Brant, 6 de maio de 2008 @ 18:35 Reply

    Marcos, os textos estão todos no sistema. Se não encontrar alguma coisa envie e-mail para redacao@culturaemercado.com.br que localizaremos para você.

  • simone marques, 6 de maio de 2008 @ 20:29 Reply

    Renovações em geral são positivas, mas a meu ver o site antigo de Cultura & Mercado era mais funcional; o formato blog não é adequado a todo o tipo de necessidade de comunicação. Senti falta das opções de navegação à esquerda [notícias, agenda, etc.] e de todas as possibilidades de navegação claras e simples, sem falar na legível fonte verdana, que foi trocada pela apertada arial. Além disso, associei a cor laranja à identidade do C&M; acho que não deveriam ter desprezado este item. Mas chega de churumelas, parabéns pela coragem!
    Simone Marques, jornalista.

  • evany, 6 de maio de 2008 @ 20:33 Reply

    Parabens pelo novo visual desta publicação. O outro era ruim mesmo, como resultado da falta de cultura visual no Brasil. E isso vem aumentando muito.

    Pobreza é relativa, e não é desculpa para a feiura dos pequenos prédios da zona norte do Rio e da áreas urbanas periféricas, com suas construçoes em lages de cimento amontoadas e agressivas. Nas cubatas africanas, ou nas construções em barro da Africa Central, nas malocas indígenas existe uma bela harmonia, uma calma visual . Mas aqui só vemos uma perturbada e feia improvisação habitacional feita com concreto que muito numerosa está rodeando um Rio de Janeiro que só teve pleno planejamento urbano no tempo do império. Falta arte, falta arquitetura, falta sentido humanista, falta respeito. E o que sobra todos já sabem…

    O motivo é que no Brasil falta arte ,

  • Demetrius Cotta, 7 de maio de 2008 @ 4:49 Reply

    Adorei o novo visual, discordo que arial é uma fonte apertada, o simbolismo das cores são importantes sim e relaciono os processos cognitivos com as lembranças que elas nos trazem. O ser humano só vê aquilo que sabe; então quanto mais se sabe mais se vê.
    Gosto de propostas descentralizadoras e o Cultura e Mercado se propõe a isso permitindo edição e interação. Nesse novo formato o que tenho a dizer , em nome da Rede aan! de arte e cultura é que continuem disseminando a diversidade cultural que é por aí que a “retribalização” caminha. Por ela obviamente se deparará á tolerância e a coexistência.
    Demétrius Cotta
    sss://redeaan.blogspot.com

  • Eduardo Saron, 7 de maio de 2008 @ 9:04 Reply

    Parabéns ao Cultura e Mercado pela nova arquitetura. Com muito mais estílo, objetividade e leveza.

  • alvaro santi, 7 de maio de 2008 @ 10:02 Reply

    Parabéns pelo espírito republicano que anima essa já longa e exitosa trajetória.
    Em relação ao novo modelo, porém, vou concordar integralmente com a Simone Marques. Achava o anterior muito prático, um verdadeiro achado.
    Mas com certeza não vou deixar de ler por causa disso.

  • André Galvão, 7 de maio de 2008 @ 10:08 Reply

    Parabéns a equipe do Cultura e Mercado, ficou melhor o visual do site.

    André
    Londrina-PR

  • André Galvão, 7 de maio de 2008 @ 10:09 Reply

    melhorou(sic)

  • Felipe Arruda, 7 de maio de 2008 @ 10:41 Reply

    Dá para sentir a dedicação com o novo projeto, o cuidado no trato das informações e a intenção de adaptar o veículo a um formato dinâmico, atual e que os objetivos permanecem íntegros, de pensar, instigar, investigar conteúdos, idéias e acontecimentos na nossa área e fornecê-los em um espaço público para discussão. Acho que este novo formato traz mais interatividade. Senti-me mais à vontade para contribuir com comentários do que no formato antigo. Parabéns pela dedicação, mesmo.

    Só uma nota quanto à (des)conferência: sabemos que o assunto da Rouanet é pra lá de complexo, e necessita de tempo. Como criar uma programação mais extensa de encontros e debates a respeito do tema que pudesse gerar um documento consistente com diagnóstico e proposições? Talvez esta questão pudesse ser incluída na própria pauta do dia 19. De qualquer forma, parabéns de novo pela iniciativa.

  • Carlos Lima, 7 de maio de 2008 @ 13:02 Reply

    Com certeza o Cultura e Mercado tem sido um bom instrumento de orientação para artistas, produtores e gestores culturais em geral. Espero que o novo formato seja ainda mais útil a todos. Parabéns e boa sorte !
    Carlos Lima, músico, Moji Mirim/SP
    http://www.maestrocarloslima.com

  • Luiza Helena Marques, 10 de maio de 2008 @ 12:49 Reply

    O que era bom ficou muito Bom!!!! Parabéns!!!

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