A maior parte das escolas são instituições anacrônicas, que não acompanharam as mudanças ao longo do tempo. As salas de aula de hoje são praticamente as mesmas que eram no século XVIII. Um dos maiores sintomas deste modelo de ensino é o conhecimento, divido em áreas e depositado em diferentes caixas.
Grande parte das crianças não veem relação entre o que aprendem na aula de história com o conteúdo da aula de geografia. Por isso, é tão louvável quando um projeto como o Dicionário Criativo se propõe a reverter essa (falta de) lógica.
A iniciativa reúne, de forma um tanto quanto sinestésica, o universo em torno de um verbete, fazendo uso da tecnologia e do poder de convergência da rede. Imagens, textos, analogias, citações – tudo vale para acrescentar à aquela palavra um sentido que o dicionário comum não pode.
O projeto começou como um trabalho de doutorado de Felipe Iszlaji de Albuquerque. “Eu trabalhava em uma agência de publicidade e todo dia me pegava com o dicionário aberto em cima da mesa, ao lado de outros dicionários, anuários e com trezentas abas do navegador aberto – dicionários on-line, bancos de imagem, google, wikipedia”, conta. “Então pensei que tudo aquilo poderia ser juntado em um site só e o dicionário analógico seria o “cérebro” disso tudo, pois nele as ideias e palavras estão agrupadas em campos semânticos que refletem estruturas conceituais”, complementa.
Apesar da tecnologia ser uma facilitadora na concepção da ferramenta, ela foi também um obstáculo a ser ultrapassado pelo idealizador, que não tinha muita intimidade com os aplicativos virtuais. “Foi sempre trabalhoso o processo de encontrar parceiros ou profissionais dessa área”, conta.
Outros desafios, como o planejamento estratégico e a comunicação, receberam uma grande ajuda durante o programa Empreendedores Criativos, reality colaborativo patrocinado pelo Banco Santander, que reuniu projetos inovadores para uma série de encontros de formação, em 2011.
“O EC caiu como uma luva no momento em que eu estava – depois de alguns anos de elocubrações e desenvolvimento do produto – enfim me preparando para dar o grande passo de tornar a ideia algo palpável e viável comercialmente”, explica Felipe. “A participação no programa trouxe a sensação de pertencer a uma nova rede, uma rede de pessoas criativas e empreendedoras ao mesmo tempo”, afirma.
O Dicionário Criativo conquistou seu primeiro financiamento por meio do site de crowdfunding Catarse. Nada mais natural para um projeto que conta com a contribuição do público para ser construído.
Planos – No momento, a plataforma ainda está disponível apenas para um grupo de testes. A expectativa é que a versão beta seja lançada para o público no próximo mês.
A equipe por trás do projeto trabalha para conseguir captar recursos junto a investidores anjo e empresas de Venture Capital (que investem em startups) que buscam oportunidades no mundo digital e no mercado da educação.
A staff também procura profissionais da área da computação, internet e linguística-computacional para serem sócios minoritários do negócio. “Vamos construir um ‘dream team’ ao longo de 2012 para implementar todo o potencial do Dicionário Criativo”, afirma Felipe.
Ele também se prepara para embarcar para Portugal, onde deve negociar possíveis parcerias para uma internacionalização do projeto. “No mais, temos cerca de 20 ideias de novos produtos dentro do Dicionário Criativo esperando para serem implementados”, conta Felipe. É esperar para ver.