Entre 1992 e 2002, número de espectadores de filmes brasileiros saltou de 36 mil para 7,29 milhões, mas os produtores levam até 4 anos para conseguir patrocínioPor Sílvio Crespo
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25/09/2003

O público de filmes nacionais de longa-metragem aumentou mais de 200 vezes entre 1992 e 2002, pulando de 36 mil espectadores para 7,29 milhões. No mesmo período, o total de ingressos vendidos no Brasil, incluindo de filmes estrangeiros, também cresceu, mas em proporção bem menor: de 75 milhões para 91 milhões (21%). Assim, o cinema nacional, que tinha 0,05% do público do país, fechou o ano passado com 8%. Ainda durante esses dez anos, o número de filmes brasileiros lançados no mercado exibidor interno aumentou de 1,3% para 26,9%, em relação ao total de lançamentos. O aumento de público do cinema nacional, em comparação com o ano passado (de R$ 6,98 milhões de espectadores) foi de 4,4%.

O fraco desempenho no início dos anos 90 se deve principalmente ao desmonte dos mecanismos de fomento ao setor da época. O então presidente Fernando Collor de Mello fechou a Embrafilme, responsável pela produção e distribuição da maior parte dos filmes nacionais, o Conselho Nacional de Cinema, a Fundação do Cinema Brasileiro e revogou a Lei Sarney de incentivo à cultura. Entretanto, em 1991, foi aprovada no Congresso Nacional a Lei Rouanet e, em 1993, a do Audiovisual. A partir de então, estes se tornaram os principais meios de financiamento da produção de filmes brasileiros, durante 10 anos.

2003
Este ano, 14 longas brasileiros estrearam até 31 de agosto, enquanto outros 37 foram finalizados e aguardam o lançamento. Todos esses dados são da Ancine (Agência Nacional do Cinema) e do Ministério da Cultura e se referem apenas às produções financiadas pelas leis federais de incentivo à cultura (Rouanet e do Audiovisual).

No ano passado, segundo a Filme B, empresa de consultoria e pesquisa do mercado cinematográfico, foram lançados no país 31 filmes brasileiros, pouco mais que o dobro dos lançamentos nos oito primeiros meses de 2003. Contudo, não é possível fazer uma comparação, uma vez que a assessoria de imprensa da Filme B não soube informar se seus dados se referem ao total de filmes brasileiros lançados ou somente àqueles financiados pelas leis federais.

De qualquer modo, a Ancine anunciou também que atualmente existem 95 filmes nacionais iniciados que não solicitaram apoio nas leis federais, mas podem vir a fazê-lo. Na sua maioria, esses filmes estão em fase inicial ou em pré-produção e buscaram outras fontes de recursos. A Agência divulgou ainda que, entre os projetos apresentados àquelas leis de incentivo, 34 estão em filmagem e 52 já em processo de finalização.

Pedra no caminho
Se por um lado os números da Ancine e do MinC confirmam uma tendência positiva para o cinema nacional, por outro evidenciam que a ?pedra no meio do caminho? do produtor continua sendo a busca de patrocínio. Existem hoje nada menos que 256 projetos de longas, ficção ou documentário, que foram aprovados nas leis Rouanet ou do Audiovisual e não conseguiram recursos sequer para iniciar as filmagens. O número é oito vezes maior do que o total de filmes lançados no ano passado. A maior parte desses projetos ainda sem recursos foi aprovada nas leis de incentivo por volta do ano de 2001, mas alguns deles já estão autorizados a procurar patrocínio há quatro anos.

Para reverter este problema, a Ancine e o MinC têm lançado concursos em que os projetos selecionados não precisam correr atrás das empresas ? uma vez aprovados, têm o dinheiro garantido. Somados os concursos já lançados oficialmente e aqueles anunciados informalmente, o MinC destinará R$ 12,74 milhões ao setor, e a Ancine, R$ 8 milhões (confira a lista abaixo).

As empresas patrocinadoras, de outro lado, investiram neste ano R$ 12,5 milhões no cinema de longa-metragem até 31 de agosto, segundo a Ancine.


Os concursos que o MinC e a Ancine já lançaram oficialmente ou apenas anunciaram informalmente:

Ministério da Cultura
R$ 4,8 milhões: longas B.O., sete projetos beneficiados – inscrições até 29/10
R$ 2,34 milhões: documentários, 26 projetos** ? inscrições a partir de 29/09*
R$ 2 milhões: produção de curtas, 40 projetos ? inscrições até 08/10
R$ 1,5 milhão: finalização de longas-metragens, 7 projetos ? inscrições até 07/11
R$ 1,2 milhão: curtas / telefilmes, 20 projetos*
R$ 1,2 milhão: curtas infanto-juvenis, 20 projetos ? inscrições até 30/10
R$ 600 mil: vídeo digital, 40 projetos*
R$ 300 mil: roteiros de longas, 10 projetos – inscrições até 27/10
Total: R$ 12,74 milhões

Ancine
US$ 300 mil (cerca de R$ 900 mil): co-produção Brasil-Portugal – inscrições até 29/09
R$ 4,6 milhões: produção – inscrições encerradas
R$ 2 milhões: finalização – inscrições encerradas
R$ 500 mil: desenvolvimento de longas-metragens – inscrições encerradas
Total: R$ 8 milhões

* Concursos ainda não lançados oficialmente (não-publicados no Diário Oficial da União).
** No caso deste concurso, os filmes serão exibidos na rede pública de televisão.


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