O candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, disse hoje (21) que, se eleito, triplicará o orçamento do Ministério da Cultura. Ele destacou que, durante sua passagem pelo governo paulista, multiplicou por três o orçamento da pasta e que hoje a Secretaria de Cultura do estado tem orçamento maior que o federal.

“O orçamento de São Paulo, o que eu deixei agora é R$ 100 milhões acima do orçamento federal. Temos R$ 900 milhões de orçamento. O governo federal é de 800 milhões. Isso excluindo os incentivos da Lei Rouanet, como também excluímos [na conta] os incentivos aqui. Triplicamos os gastos na cultura, foi a área que mais cresceu”, disse, durante um encontro com artistas, na capital paulista.

Pego de surpresa com a declaração do presidenciável, o Ministério da Cultura contestou, por meio de nota, as declarações do candidato do PSDB. Segundo a nota, o orçamento da pasta saltou de R$ 287 milhões em 2003 para R$ 2,2 bilhões em 2010. Os recursos relativos a renúncia fiscal, que eram de R$ 400 milhões em 2003, passaram para mais de R$ 1 bilhão, em 2010. “O salto de quase dez vezes atesta a importância que a cultura tem para o governo Lula”, afirmou o ministro Juca Ferreira, na nota.

O candidato do PSDB criticou também o projeto da nova lei sobre o direito autoral, que tem apoio do governo. Serra disse a proposta pretende estatizar os direitos autorais. “Hoje tem um sistema que não funciona muito bem, precisa ser aperfeiçoado, mas certamente não é estatizá-lo. Todo mundo da área da cultura está revoltado com relação a esse projeto. A arrecadação vai ser estatal, vai se criar a Ecadbras. Isso vai começar a empregar companheiro”, afirmou.

Sobre a questão dos direitos autorais na internet, Serra declarou que ainda não encontrou proposta razoável sobre o assunto e que o tema deverá continuar a ser debatido nos próximos anos. “Não conheço nenhuma proposta, até agora, consistente sobre a internet. Que não extermine a liberdade da internet, mas que proteja aquele que está produzindo. É uma pauta para os próximos anos.”

O candidato mostrou-se ainda favorável a rediscutir o benefício da meia entrada para estudantes em eventos culturais. Serra disse ser favorável ao desconto, mas “dentro de regras”. “Isso é um assunto a ser visto no âmbito do Congresso Nacional, e que eu acho positivo. Eu sou a favor da meia entrada, mas tem que ter uma regra a esse respeito.”.

O ministro da Cultura também respondeu às críticas do tucano ao projeto da nova lei de direitos autorais. “O projeto de lei para modernização do Direito Autoral, amplamente debatido pela imprensa e pelo setor cultural, aumenta a transparência do sistema de arrecadação no Brasil. A suposta estatização do Ecad [Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, de natureza privada] não existe no projeto e é apenas uma leitura marota”, disse Juca Ferreira.

* Com informações da Agência Brasil


Pesquisador cultural e empreendedor criativo. Criador do Cultura e Mercado e fundador do Cemec, é presidente do Instituto Pensarte. Autor dos livros O Poder da Cultura (Peirópolis, 2009) e Mercado Cultural (Escrituras, 2001), entre outros: www.brant.com.br

4Comentários

  • marcosfaria, 22 de setembro de 2010 @ 12:11 Reply

    sss://www.cultura.gov.br/site/2010/09/21/nota-do…

    Nota do ministro
    Nota sobre as declarações do candidato José Serra sobre a cultura no governo Lula

    Como Ministro da Cultura, lamento que a cultura entre no debate eleitoral por meio de chavões e inverdades, não como a prioridade estratégica que a sociedade brasileira vem conquistando, inclusive em termos orçamentários.

    O orçamento da cultura no governo federal saltou de R$ 287 milhões, em 2003, para R$ 2,2 bilhões, em 2010. O salto de quase dez vezes atesta a importância que a cultura tem para o governo Lula. A própria renúncia fiscal saiu de R$ 400 milhões para mais de R$ 1 bilhão. Os recursos são, hoje, distribuídos para o Brasil inteiro, sem discriminação de regiões, de orientação artística ou ideológica, e na mais absoluta liberdade de expressão. Nunca fomos tão livres como nesses anos, e eu me orgulho, como Ministro, de ter contribuído para esse nível de liberdade. Trabalhamos com todas as prefeituras e governos estaduais. A própria Bienal de São Paulo teve uma forte contribuição do Ministério da Cultura, e sem ela talvez o evento não teria recuperado sua grandeza. (…)

  • Carlos Henrique Machado, 23 de setembro de 2010 @ 2:06 Reply

    Serra falou para uma multidão de 100 (cem) pessoas, todas devidamente tarjadas com crachás da Globo e, para eles, prometeu, disso não tenho dúvidas, não mais investimento, mas privatizar todos os impostos arrecadados do suor da sociedade e, via Lei Rouanet, entregar nas mãos da cultura de canastrões midiáticos, afinal a nave-mãe, Organizações Globo é a matriarca do candidato.

    Nisso não há qualquer novidade. Serra não precisa entender de cultura como não entende e, por isso, cerca-se de matemáticos e burocratas, vide João Sayad, para falar de arte. Mas, e daí, o que isso importa? O projeto “O que vier, eu traço”, melhor dizendo, “O que vier, eu privatizo” está no DNA do partido do candidato, e ninguém duvida que ele, se pudesse, não deixaria pedra sobre pedra do restante do patrimônio público que sobrou da era da privataria de FHC.

    A cultura de Serra é, na essência, privatizar o que sobrou de material ou de simbólico, de qualquer coisa que possa parecer pública.

  • Cultura e Mercado | para quem vive de cultura. » Distorções na lei e no discurso, 15 de outubro de 2010 @ 21:27 Reply

    […] Ferreira, é atingir 2% nos próximos anos. O candidato José Serra discorda dos números do MinC e promete triplicar o orçamento atual da pasta. Dilma Rousseff ainda não equiparou a promessa, mas fala em aprovar o Vale Cultura, o Procultura e […]

  • Álvaro Santi, 16 de outubro de 2010 @ 18:34 Reply

    "A arrecadação vai ser estatal, vai se criar a Ecadbras." Isso simplesmente não existe no anteprojeto do MinC para o Direito Autoral, mas para saber isso Serra (ou alguém por ele) teria de ter lido o texto. É o conhecido bordão "não li e não gostei", perfeitamente alinhado com a posição da indústria fonográfica estrangeira, que manda no ECAD e define livremente a a arrrecadação e distribuição das centenas de R$ milhões que arrecada anualmente, sem qualquer supervisão do Estado, num caso praticamente único no mundo.
    Engraçado como esse pessoal não critica o governo militar que em 1973 sancionou a Lei que criou o ECAD, já que leis, como todos sabem, emanam do Estado. Ou não?

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