Para subsidiar a discussão acerca da Lei Rouanet com alguns dados, analisei na base de dados do Ministério da Cultura, as informações de 3.047 projetos com R$ 910 milhões captados em 2007.

Do exercício de análise verificou-se que ao contrário do que é senso comum, o Mecenato tem financiado predominantemente projetos de médio e pequeno porte. As categorias de grandes projetos que concentram 40% dos recursos é composta por uma variada gama de atividades culturais de grande impacto tanto na produção quanto no acesso aos bens culturais.

Pudemos verificar também, que as tão criticadas grandes produções musicais e teatrais apropriam-se de uma fatia pequena da renúncia fiscal hoje utilizada. (1,5% e 1,3% respectivamente)

No ano passado, 175 projetos, 5,7% do total, captaram valor igual ou superior à R$ 1 milhão, 252 projetos (8,3%) captaram entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, 127 projetos (4,2%) captaram entre R$ 400 mil e R$ 500 mil, 180 projetos (5,9%) captaram entre R$ 300 mil e R$ 400 mil, 327 projetos (10,7%) captaram entre R$ 200 mil e R$ 300 mil, 647 projetos (21,2%) captaram entre R$ 100 mil e R$ 200 mil e 1339 projetos (43,9%) captaram valor até R$ 100 mil.

Com essa categorização, podemos dizer que temos apenas 5,7% de grandes projetos.

O restante 94,3%, podemos dividir em dois grandes grupos. Médio porte (entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão) que representa 52% do total e projetos pequenos (até R$ 100 mil) que representa 43% do total.

Podemos ver que a grande maioria dos projetos que está sendo financiada pelo mecenato é de médio e pequeno porte. Projetos com captação inferior à R$ 500 mil representam 87,5% do total de projetos com captação em 2007.

Os 175 projetos que captaram mais de R$ 1 milhão ficaram com 40% do total de recursos, enquanto os demais 2.872 projetos captaram 60% dos recursos.

Vamos agora dar um “zoom” na fatia dos projetos que captaram mais de R$ 1 milhão em 2007.

A primeira faixa que, representa 30% de todos os recursos captados segundo a base de dados do MinC se segmenta da seguinte forma.

O Grupo mais expressivo é o das captações para construção e restauro que é responsável por 6,4% de toda a verba captada no ano, seguido por Manutenção de Orquestras (3,6%), Museus (3,5%), Centros Culturais (3,4%), Concertos Eruditos (2,9%), Exposições (2,3%), Exposições Itinerantes (2,0%), Projetos que Incentivam Manifestações Populares, carnavais, frevo, axé, etc (1,7%), Projetos de Oficinas e formação (1,7%), Grandes Produções Musicais e Óperas (1,5%) e Temporadas de Teatro (1,3%).

A faixa que representa os 10% restantes está segmentada em diversas atividades. O conjunto das temporadas de música popular e instrumental não erudita, dança e circo que captaram mais de R$ 1 milhão representam 3,3% do valor captado, enquanto o agrupamento dos projetos de festivais de música, cinema e outros prêmios que captaram mais de R$ 1 milhão soma 2,0% dos recursos captados.

Embora os grandes projetos concentrem parcela considerável dos recursos da renúncia fiscal, esse conjunto de atividades tem enorme impacto na economia, na produção e no acesso aos produtos da cultura.

A grande concentração de recursos está nas construções e restauros que são dispendiosas pela natureza da atividade.

Segue-se a manutenção das atividades de orquestras que representam o sustento anual de uma plêiade de músicos e a manutenção dos ensaios dos concertos assim como a formação de gerações de jovens músicos.

O terceiro grande grupo é a manutenção da programação anual dos centros culturais que disponibilizam uma programação variada e geralmente gratuita que tem grande impacto no acesso à bens culturais e no financiamento da produção e na difusão de uma coletividade de artistas.

Em quarto lugar aparece o financiamento de uma extensa programação de concertos eruditos, muitos ao ar livre e com apresentações gratuitas em diversas cidades brasileiras.

Temos que destacar que dentro do grupo de projetos que captou mais de 1 milhão de reais, projetos que costumam ser entendidos como mais democráticos pelos críticos da Lei Rouanet ao financiarem manifestações populares como o carnaval de recife, grupos musicais afro na Bahia (1,7%), assim como exposições itinerantes (2,0%) e oficinas de formação (1,7%) captaram mais recursos do que as tão criticadas grandes produções musicais (1,5%) e do que as temporadas de grandes companhias teatrais (1,3%).

Desejamos que esse pequeno ensaio analítico possa jogar um pouco de luz na discussão no sentido de demonstrar que o mecanismo do Mecenato, que é aquele que mais se desenvolveu no arcabouço da Lei Rouanet, tem dado uma contribuição expressiva para o financiamento de uma grande variedade de projetos onde os mais numerosos são as pequenas e médias produções que beneficiam milhares de artistas.

Num país onde o nível educacional e a renda concorrem para pressionar a sobrevivência do artista e a produção cultural para um nível muito abaixo do almejado para a nação, abrir mão de um instrumento como o Mecenato nos moldes desenhados pela Lei Rouanet é realmente um retrocesso.

Além das críticas que costumam utilizar-se de ícones específicos e de fácil apelo ao senso comum, como a produção dos grandes musicais, para desmerecer o mecanismo da Lei Rounet, os seus críticos tem recorrentemente insistido na visão ideologizada de que as lógicas do marketing e da decisão privada sobre recursos públicos deve ser algo inaceitável.

Acredito que no atual estágio de desenvolvimento do mercado cultural brasileiro, estamos longe de atingir um patamar em que os riscos das produções e da difusão das obras e dos artistas esteja num nível razoável. Isso se dá exatamente porque o público que deveria ser o financiador da arte pelo consumo da produção artística, por razões econômicas, educacionais e culturais não é capaz de suportar dignamente a oferta que a nossa rica plêiade de artistas está pronta a oferecer. Sem o apoio de patrocínios, essa situação ficará ainda mais grave. Desta forma, retirar agora o incentivo ao patrocínio de projetos culturais apenas aprofundará as dificuldades que os artistas encontram para levar a cabo as suas empreitadas.

O que se deve fazer para alavancar ainda mais a atividade artística é manter os mecanismos atuais, se possível incrementando as possibilidades de acesso para que mais empresas possam direcionar recursos ao mecenato, utilizar os mecanismos de correção existentes e criar outros se forem necessários para contemplar a produção artística que não está sendo acolhida pelos atuais mecanismos.

O governo não parece estar se movimentando nesse sentido, e tem agido de forma a emperrar os instrumentos de financiamento existentes atualmente. À luz da diversidade de projetos que o Mecenato tem financiado como procuramos demontrar acima, esse proceder, sem dúvida significa um grande desperdício do potencial dos atuais mecanismos e uma grande perda de oportunidade para avançar no sentido de fazer ajustes na política cultural como um todo, corrigindo distorções sem eliminar os ganhos e as conquistas transformadoras que a Lei Rouanet significou ao longo do seu processo de evolução até aqui.

         

        

       

      

     

    

   

  

 

TABELA RESUMO        
  Número de Projetos % de projetos Valor Captado R$ MM % de Valor Captado
Maior que R$ 1 milhão 175 6%         371,0 40,8%
Menor que 1 milhão 252 8%         174,8 19,2%
menor que 500 127 4%           57,8 6,4%
menor que 400 180 6%           63,6 7,0%
menor que 300 327 11%           81,3 8,9%
menor que 200 647 21%           96,9 10,7%
menor que 100 1339 44%           64,6 7,1%
Total da Base 3047 100%         910,0 100,0%
     
ZOOM: CAPTAÇÃO ACIMA DE R$ 1 MILHÃO       
Categoria Valor R$ % dos maiores % do total captado
Construção /Restauro         58.105.124,02 15,7% 6,4%
Orquestra         32.859.441,29 8,9% 3,6%
Museu         31.783.007,74 8,6% 3,5%
Centro Cultural         31.382.931,50 8,5% 3,4%
Concertos Orquestra         26.629.161,91 7,2% 2,9%
Exposição         20.754.089,40 5,6% 2,3%
Exposição Itinerante         18.280.784,10 4,9% 2,0%
Manifestações Populares         15.880.879,19 4,3% 1,7%
Oficinas / Formação         15.696.435,91 4,2% 1,7%
Show Bizz Música         13.832.048,94 3,7% 1,5%
Temporada Teatro         11.843.787,43 3,2% 1,3%
Temporada Música Popular           9.110.260,00 2,5% 1,0%
Temporada Música           7.527.985,00 2,0% 0,8%
Formação de Acervo Museus           7.482.139,65 2,0% 0,8%
Casas de Cultura           5.323.232,34 1,4% 0,6%
Temporada Música Instrumental           5.172.697,48 1,4% 0,6%
Outros           5.122.934,52 1,4% 0,6%
Festival de Cinema           4.425.000,00 1,2% 0,5%
Prêmios           3.900.000,00 1,1% 0,4%
Publicação           3.830.471,00 1,0% 0,4%
Seminários           3.660.000,00 1,0% 0,4%
Exibição Cinema           3.533.930,28 1,0% 0,4%
Temporada Circo           3.390.000,00 0,9% 0,4%
Festival de Música           3.182.643,85 0,9% 0,3%
Temporada Dança           3.158.000,00 0,9% 0,3%
Exibição Itinerante Cinema           2.588.000,00 0,7% 0,3%
Festivais de Música em todo o país           2.582.480,00 0,7% 0,3%
Manutenção Companhia           2.542.250,00 0,7% 0,3%
Outros Música           2.521.640,00 0,7% 0,3%
TV Cultura           2.423.120,00 0,7% 0,3%
Temporada Música Itinerante           2.000.642,13 0,5% 0,2%
Livros para Cegos           1.328.794,55 0,4% 0,1%
Arvore de Natal Evento           1.312.800,00 0,4% 0,1%
Edição de Livro           1.165.000,00 0,3% 0,1%
Preservação/ Restauração           1.155.031,73 0,3% 0,1%
Obra Permanente Artes Plasticas           1.150.000,00 0,3% 0,1%
Documentários           1.119.996,72 0,3% 0,1%
Temporada Multi artes           1.102.605,00 0,3% 0,1%
Temporada Teatro Oficinas / Formação           1.079.900,00 0,3% 0,1%
Festival Teatro           1.032.710,27 0,3% 0,1%
 TOTAL       370.971.955,95 100% 40,8%

 

 

 

 

 

 


contributor

Economista, é gestor do Programa Fábricas de Cultura pela Poiesis – Organização Social de Cultura, especialista em Gestão Cultural pela Cátedra Unesco de Políticas Culturais (Universitat Di Girona/ Itaú Cultural) e professor de Marketing no curso de graduação em Produção Cultural na FAAP.

28Comentários

  • Marcelo Pereira, 5 de maio de 2008 @ 23:28 Reply

    Até que enfim alguém apresentando em números aquilo que nós que trabalhamos com cultura já intuíamos…afinal, a gama de projetos financiados vai muito além das (“malditas”) grandes produções. Fica no ar a pergunta quanto ao que realmente quer o MinC e seus dirigentes ao utilizarem argumentos que, diante dos números apresentados, revelam-se falsos e insubsistentes. Das duas uma: ou o MinC desconhece os números (omissão imperdoável) ou os manipula maliciosamente…prefiro não pensar nisso, pois nos dois casos, como alguém que depende da produção cultural para viver, fico com dor de estômago só de pensar no que será de nós com esse pessoal…ABAIXO AO FIM DA LEI ROUANET!!! ABAIXO AO USO DE ARGUMENTOS FALSOS E LEVIANOS!!! VIVA A REPÚBLICA E A DEMOCRACIA!!!

  • Marcos, 6 de maio de 2008 @ 12:14 Reply

    Artigo bastante interessante, que desmente alguns dos sensos comuns sobre a Lei Rouanet.

    Cultura e Mercado poderia informar se os dados acima pesquisados encontram-se disponíveis no site do MinC? Não os encontrei por ali.

  • paulo vieira, 6 de maio de 2008 @ 15:29 Reply

    Muito bom o artigo. O setor cultural precisa é disso: um pouco de números (de cultura estamos bem servidos). Números, aliás, que o MinC parece desconhecer, do contrário não faria as afirmações que tem feito…pergunto: quais são afinal as distorções da Lei Rouanet apontadas pelo MinC? Porque, ficou claro, que não são as grandes produções…será que estão fazendo isso de má-fé?

  • Aguinaldo Silva Filho, 6 de maio de 2008 @ 17:21 Reply

    Seria interessante complemetar este estudo, colocando-se o quanto estes R$910 milhões representam do valor destinado a renúncia fiscal.
    Seria uma forma de avaliar o montante de recursos que não é utilizado e o trabalho que se tem para se obter um patrocínio.
    Uma vez que ter um projeto aprovado na lei não é garantia de sucesso, mas apenas um facilitador para a realização.
    Dificultar ou acabar com esta lei é no mínimo uma falta de sensibilidade e discernimento para com a tão sofrida classe cultural.

  • Mariana Magri, 6 de maio de 2008 @ 17:35 Reply

    Que bom ter dados assim tão precisos. Acredito que um artigo desse pode ser muito útil aos nossos dirigentes da Cultura no Brasil. Parabéns pela pesquisa!

  • Kluk Neto, 6 de maio de 2008 @ 18:47 Reply

    Caro Marcos,
    Os dados são da base de dados do MinC, mas a mesma não se encontra disponível no site. O arquivo base para o estudo veio originalmente em pdf mediante solicitação. Tratei a base convertendo para o excel e fazendo os filtros que resultaram na classificação que permitiu fazer a análise. Posso enviar os arquivos por e-mail se quiser. Deixe um endereço que diponibilizo a base com prazer. Aliás seria muito interessante se o banco de dados do Ministério pudesse ser disponibilizado em uma forma mais acessível para que pudessémos consultar regularmente e fazer cruzamentos de informações sem tanto esforço.

  • Priscila Netto, 6 de maio de 2008 @ 19:22 Reply

    Os dados apresentados de maneira precisa e com conclusões simples, diretas e contundentes, expressam a utilização real da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Tais dados estão disponíveis no sistema do Ministério e permitem vários cruzamentos estatísticos. Pelo que temos visto e ouvido, acredito que não existem estudos sérios por parte do Ministério para fundamentar as mudanças e desacreditar sua participação na produçãocultural brasileira. Não só os produtores culturais, mas todo povo brasleiro, agradecem.

  • RôMULO DUQUE, 7 de maio de 2008 @ 9:01 Reply

    ÓTIMO….EXCELENTE.

    Paralelo a isso só faltou mostrar por dados que as informações da FUNARTE e do MINC quanto a redução de sessões é falsa.

    MAS o que importa é que se mostra em números e contra estes na há argumentos que não só O COMERCIAL têm conseguido atravessar a barreira dos departamentos de MARKETING , pelo contrário.

    Agora acho importantissímo que o paragrafo final do artigo seja uma bandeira da produção cultural País.
    NÃO É POSSIVEL QUE A DIREÇÃO DA FUNARTE E ODIRIGENTES DO MINC CONTINUEM BOICOTANDO A PRODUÇÃO CULTURAL SEM NENHUMA CONSEQUÊNCIA.
    E O MINISTRO? NÃO VAI SE MANIFESTAR?.

  • RôMULO DUQUE, 7 de maio de 2008 @ 10:04 Reply

    PARA ACRESCENTAR SOBRE A POSIÇÃO DO ULTIMO PARAGRAFO DO ARTIGO ACIMA , GOSTARIA DE REPRODUZIR ABAIXO ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL ESTADO DE MINAS (MG) NO DIA 10 DE ABRIL.

    Lei Rouanet e estado de direito
    Ultimamente, sobram discussões sobre os mecanismosdeincentivo fiscalàcultura,emgeral, edaquele estabelecido pela Lei Rouanet,em particular. MinistériodaCultura(MinC)eprodutores culturais têm debatido intensamente nos meios de comunicação a respeito dos méritos e defeitos aquele que é hoje o principal mecanismo de financiamentoàcultura no Brasil.
    As discussões acaloradas de cunho essencialmente político, contudo, têm acobertado outra realidade:oMinC vive uma pane administrativa. E uma crise de legalidade. Enquanto notórias dificuldades operacionais são mantidas sem solução,oministério vem editando normas que, além de não representar solução para os problemas, trazem consigo nítidas afrontas à legislação vigente. Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que a extrema lentidão verificada na análise de projetos culturais representa, por si só, violação da Constituição Federal. Afinal,aConstituição estabelece,como garantia fundamental, que “a todos, no âmbito judicialeadministrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. Mesmo sendo de 60 dias o prazo máximo estipulado pelo próprio MinC para tramitação dos projetos culturais (processos administrativos por natureza), atualmente, este prazo não é menor que quatro ou cinco meses.
    Não são raros os produtores que aguardam por mais de seis meses, às vezes, um ano, por uma decisão do ministério. Essa demora causa evidentes prejuízos aos produtores, sobretudo àqueles que logram a (difícil) captação de recursos juntoapatrocinadoreseque, sem obter aprovação de seus projetos pelo MinC, perdem oportunidades e deixam de realizar projetos culturais. Apesar das já conhecidas dificuldades estruturais (todos se lembram da longa greve de 2007, na qual servidores pleiteavam estruturação de suas carreirasemelhores salários), não se nota qualquer medida voltada à organização da pasta. Ao contrário, o que se tem visto são medidas restritivas de liberdades individuais, sem que isso represente qualquer melhoria administrativa. Entre essas medidas sobressaia Portaria 04, de fevereiro de 2008, pela da qual ficou estabelecido que os produtores culturais não têm o direito de se fazer representar por procuradores na prática de atos junto ao ministério. Sob qualquer ponto de vista que se analise a questão, a determinação veiculada pela portaria
    exala ilegalidade. Trata-se, aqui, do direito de qualquer cidadão de se fazer representar por advogado perante a administração pública, direito este previsto expressamente pela Lei Federal de Processo Administrativo (9.784/99) e que constituiumadas mais importantes garantias dos cidadãos contra arbítrios do Estado. Adespeito de discussões políticas ou ideológicas, a Lei Rouanet está em pleno vigor e, portanto, aplicá-la com eficiência não é uma opção do MinC. Trata-se, isto sim, de uma imposição do próprio estado democrático de direitoem que vivemos,apartirdos parâmetros de legalidade e impessoalidade que informam aatividade estatal na ordem constitucional vigente
    . (Com JoséMaurício Fittibaldi, advogado especializado emcultura e entretenimento, sósio de Cesnik, Quintino e Salinas Advogados)
    PUBLICADO NO JORNAL ESTADO DE MINAS – CADERNO OPINIÃO – 10 DE ABRIL DE 2008

  • aluizio cherobim, 7 de maio de 2008 @ 10:36 Reply

    ös números não mentem jamais¨!!
    Se não fosse o direito de captação das grandes Fundações Bancárias e orgãos governamentais, a Lei seria quase perfeita!!

  • alvaro santi, 7 de maio de 2008 @ 11:41 Reply

    Muito oportuna a sua análise, o que estamos precisando é isto mesmo, mais dados e menos conversa.
    Considero no entanto um equívoco concluir, a partir deles, de que “ao contrário do que é senso comum, o Mecenato tem financiado predominantemente projetos de médio e pequeno porte”. Em NÚMERO de projetos pode ser, e é lógico que sejam, da mesma forma que é lógico serem os pobres mais numerosos que os ricos. Mas os mesmos dados permitem uma outra leitura: 60% do valor captado foi para projetos de mais de R$ 500 mil, enquanto apenas 7% foi para projetos de menos de R$ 100 mil. De resto é o que todos sabem, que projetos pequenos não interessam a grandes patrocinadores, que são os usuários preferenciais do Mecenato.
    Resta ainda a outra grande concentração que não aparece nestes dados, a geográfica. E é onde se revelam de maneira mais perversa, na minha opinião, os efeitos da “lógica do marketing e da decisão privada sobre recursos públicos”, que considero sim inaceitável.
    Ilustro com um exemplo paradigmático. Os jornais gaúchos de hoje deram destaque à doação por uma empresa de R$ 1 milhão para a conclusão de um projeto orçado em R$ 36 milhões, anunciado orgulhosamente como “o maior complexo cultural da América Latina”. Para sua conclusão, ainda faltaria a metade disso. Foi dado destaque ainda ao fato de que ESTA doação NÃO se beneficiou de isenção fiscal. Porém os outros R$ 18 milhões doados até agora (desde 2003) passaram pela lei Rouanet e Lei de Incentivo à Cultura do RS. Qual o problema?
    No caso do último milhão, nenhum. A empresa pode investir seu dinheiro onde bem entender. Em troca receberá uma sala com seu nome. O fato em si demonstra que SIM as empresas investem e continuarão investindo em cultura (ou em esporte ou no meio-ambiente) quando for bom para a imagem delas, MESMO SEM NENHUM INCENTIVO.
    No que diz respeito ao dinheiro até aqui investido com renúncia fiscal, o problema está na localização do “empreendimento”: o centro da capital do estado. Trata-se simplesmente do local onde se concentram 99% dos equipamentos culturais públicos e privados de uma cidade com mais de 50% de habitantes “excluídos culturais”, num estado com 496 municípios, ou seja, o único local onde não faz nenhum sentido construí-lo, sob o ponto de vista do bem público. Quantos destes municípios contam com uma única sala de espetáculo decentemente equipada que seja, que talvez custasse menos de R$ 100 mil?
    Você como empresário investiria onde? E como governante? Qual investimento daria mais repercussão na imprensa?
    Dos recursos da Rouanet, isto é o que, via de regra e salvo honrosas exceções, alcança os habitantes deste outro Brasil esquecido: a NOTÍCIA do que está acontecendo na capital, acompanhada da PUBLICIDADE do “patrocinador”.
    Isto é uma “crítica ideologizada” na sua opinião?
    Não sou contra o incentivo em si, mas esta lei é péssima. Entretanto o MinC nunca afirmou que pretende acabar com ela, como querem levar a crer alguns exaltados seus defensores, certamente preocupados com seus próprios interesses. Quanto a melhorá-la, este governo teve a melhor oportunidade de fazê-lo em 2003, quando promoveu uma série de Seminários intitulados “Cultura Para Todos”. (A propósito, o MinC faria bem em publicar os relatórios deste evento). Duvido que consiga ou mesmo pretenda fazê-lo agora.

  • sebastião a. madeira, 7 de maio de 2008 @ 13:22 Reply

    Para que não aja distorsões como esta no futuro , vamos envestir um pouquinho desta verba, nos professores de arte do ensino fundamental e medio e, no futuro teremos mais artistas e, mais comprienção.

  • Aguinaldo Silva Filho, 7 de maio de 2008 @ 13:27 Reply

    Pesquisando o site do MINC temos que a renúncia fical gira em torno de R$1Bilhão de Reais, considerando os números corretos, temos que 39% deste valor é efetivamente usado, sobrando 61% que ficam disponíveis para o mercado e que não são usados. Portanto, todos os setores da cultura (sem excessão) têm condições de ir atrás destes recursos, basta um pouco mais de esforço. Lembro de alguns relatório antigos do MINC em que estes 39% representaram no passado um máximo de 20%, e com o tempo, com o entendimento da lei, com o conhecimento das empresas e produtores culturais este número vem crescendo, e isto é ótimo, mas ainda é insuficiente para uma alvancagem segura, ou seja um crescimento sustentado do setor, por isso é importante que este mecanismo de apoio continue neste formato, e que as distorções sejam entendidas, discutidas e ajustadas conforme a realidade do mercado.

  • Jorge, 7 de maio de 2008 @ 17:54 Reply

    Repassei o texto para alguns colegas. Um deles chamou a atenção de que os dados podem ser analisados por outro ângulo: 60% do valor captado foi para projetos de mais de R$ 500 mil, enquanto apenas 7% foi para projetos de menos de R$ 100 mil!! Ou seja, o problema é concentração dos recursos em grandes projetos, que é o que interessa às grandes empresas. É aí que está o problema da Lei Rouanet.

  • Carlos Henrique Machado, 7 de maio de 2008 @ 18:57 Reply

    Sigo na linha de Alvaro Santi, eu também gostaria de ter mais dados sobre o item mais de R$1.000.000,00, os dez maiores tetos, o percentual desses projetos que têm seus escritórios nos grandes centros, pois o quadro aqui apresentado é estarrecedor. Tem 1.339 projetos contemplados com menos de R$100.000,00, com 7,1% captados, ou seja, na base da pirâmide concentra-se a maior quantidade de projetos com o menor percentual de arrecadação, inversamente proporcional ao pico da pirâmide que apresenta um número bem menor de projetos (175 projetos), com o maior percentual de arrecadação, 40,8%. Os números são tão gritantes, que não sei como são apresentados aqui como forma de dar respaldo à lei como está hoje. Ainda faltam muitas outras perguntas.

  • Marcelo Facci, 7 de maio de 2008 @ 19:34 Reply

    Vejam só 87% dos projetos financiados são projetos menores que 500 mil sendo que os menores que 200 mil são dois terços (65%) do total. Ou seja, numericamento falando os pequenos projetos são imensa maioria. É claro que os projetos grandes vão concentrar os recursos, mas o que precisa ficar claro é que a lei rouanet está sim distribuindo recursos para milhares de pequenos projetos. Além do mais é a mais pura falta de bom senso pensar que é demérito ser grande .Acontece que não devemos nos esquecer que os grandes projetos não são menos arte do que os pequenos e também eles em larga medida empregam muitos artistas e colaboradores. O autor do artigo está de parabéns e aliás teve o cuidado de mostrar no texto como os grandes projetos contribuem para empregar artistas e aumentar o acesso à cultura e como parte dos recursos são para obras de restauro que são dispendiosas por natureza. Sugiro a leitura da entrevista da Marco Nanini na revista Bravo deste mês onde o ator comenta as mazelas administrativas do Minc e a sua atitude preconceituosa em relação à artistas famosos ou grandes projetos. A grande vergonha é que o Minc não pára de pisar na bola porque ao mesmo tempo em que a soldadela rasa boicota os projetos que considera “da elite”, julgando com o mesmo preconceito “aos grandes projetos” o ministro vai lá através do seu preposto Juca Ferreia e de canetada manda aprovar o projeto da cantora amiga Bethânia. Vejam só que esse episódio só escancara o quanto o ministério está entregue às arbitrariedades e contradições e explica porque o meio cultural enfrenta tamanha segurança nos dias que vão.

  • José Paulo, 7 de maio de 2008 @ 20:59 Reply

    Acerca dos dois pontos de vista sobre esses números. É obvio que para cada projeto de 1 milhão, vamos precisar de 10 projetos de 100 mil para igualar os recursos. Então a pirâmide número de projetos vai ser o inverso da pirâmide de recursos. Isso apenas mostra que temos poucos projetos grandes e muitos projetos pequenos.Nada de anormal. Anormal seria termos só projetos grandes, ou querermos forçar para que tenhamos só projetos pequenos. Se a gente olhasse os dados e só tivesse lá os cento e tantos projetos grandes, aí eu poderia até pensar em jogar pedra na Geni (parodiando o Leonardo Brant que parodiou o Chico). Mas enquanto vemos enfileirar-se essa outra numerosa maioria de projetos dos mais variados tamanhos, me convenço de que seria uma grande bobagem, um golpe duro para a cultura brasileira destruir a lei rouanet.

  • Afonso Oliveira, 7 de maio de 2008 @ 21:30 Reply

    Uma preocupação de boa parte do setor cultural é com a concentração regional dos recursos captados da Lei Rouanet. Seria interessante termos uma contribuição no sentido de mostrar como foi a distribuição por estados e regiões desses recursos no ano de 2007. Acho que o tema da concentração regional também será debatido nessa reforma. Com relação ao estudo, ele mostra diversos ajustes que precisam ser realizados para que a equidade seja possível. Acredito que só com um grande debate, precedido de mobilização em torno da proposta que o Minc vai apresentar poderemos realizar uma reforma da Lei Rouanet que atenda aos objetivos e prioridades definidos pelo setor cultural brasileiro. Por enquanto o que vejo é uma mobilização muito pequena, articulada principalmente, por uma pequena parte pelos que trabalham há anos com a Lei. Precisamos mobilizar os diversos segmentos da cultura brasileira que estão excluidos desse processo de captação de recursos via mecenato ou via FNC, para que a Lei saia desse processo fortalecida e que toda forma de produção artística seja possível captar. Não vejo como possível um acordo para o fim do mecenato e nem para deixar a coisas como estão. Nem o Minc, nem os grandes interessados nas captações de recursos vão conseguir manipular o setor cultural a ponto de conseguir uma unanimidade em torno de seus interesses. Acredito que esse debate será grande e que segmentos importantes ainda vão chegar nessa roda.

  • Carlos Henrique Machado, 7 de maio de 2008 @ 23:06 Reply

    Gosto de saber que os grandes espetáculos, ou melhor, os mega espetáculos têm lugar ao sol. Acho que eles devem existir e, aos montes, até porque o Brasil carece de empregos. A indústria da cultura e do entretenimento pode provar com isso que ela que não é uma coisa, digamos, amadora. Ela tem uma linha de pensamento estrutural assim como qualquer segmento industrial. Por isso, não só pode, como deve se comportar como uma grande indústria, desenvolvendo, gerenciando muito bem seus próprios recursos a partir dos seus lucros provenientes da capacidade desenvolvimentista. Uma indústria dessa, tão poderosa não precisa do Estado, não precisa do mecenato do cidadão comum, este sim, precisa se reestruturar em pequenos grupos para simplesmente sustentar a sua identidade e fortalecer a sua auto-estima e contribuir para uma economia ampla em todos os setores da sociedade, não só na arte. Por isso, acredito meus amigos, que pensar de forma tão concentrada na cultura dos grandes espetáculos é pensar pequeno na cultura do país. Sejamos pragmáticos, tratemos do cidadão fortalecendo suas próprias lógicas e caminhos. E o Brasil, como um todo, ECONOMICAMENTE IRÁ GANHAR. É só não nos deixarmos tomar pela emoção, porque muitas vezes, o máximo pode ter relevância mínima diante do que é complexo.

  • José Paulo, 8 de maio de 2008 @ 11:23 Reply

    Gostei muito do artigo publicado. Ele foi honesto em mostrar a concentração de recursos financeiros, mas foi também esclarecedor ao demonstrar que existe uma grande quantidade de projetos médios e pequenos que estão se beneficiando do mecenato. Acompanhando a evolução dos projetos culturais ao longo do tempo acho que isso é resultado de um esforço dos agentes culturais gerando organização e amadurecimento para caad vez mais aprenderem a utilizar a lei e a dialogar com as empresas patrocinadoras. Esse é o mérito dos pequenos e médios projetos que estão demonstrando sucesso. Uma outra coisa importante é que uma restrição aos grandes espetáculos não deve ser confundida com uma restrição à lei rouanet. Uma coisa deve estar bem separada da outra. O artigo nos mostrou que essas grandes produções recebem 1,5% do bolo. E a despeito de qualquer crítica que se faça a tal uso ,os outros 98,5% não podem ser prejudicados por isso.
    Tendo a concordar em parte com o Carlos Henrique quanto ao fato das grandes produções poderem viver sem o Mecenato. Isso pode ser verdade para alguns projetos e para algumas empresas. Mas para quem está na labuta dos riscos que uma produção envolve, conseguir pagar com o patrocínio todo o custo de desenvolvimento de um projeto antes da sua estréia por exemplo, é um fator que faz muita diferença na hora de um empresário da arte decidir se vai em frente ou não na empreitada. Por isso, essa discussão deve ser feita com muita cautela. Se o MinC tivesse técnicos capacitados avaliando os projetos, estes deveriam ter também a capacidade de analisar esse tipo de coisa na hora de exigir contrapartidas das grandes produções. Outra coisa a considerar é que se a empreitada tiver que ser levada à cabo por empreendedores novatos, a história é outra. Nesse caso, se vedássemos o mecenato simplesmente pelo tamanho do projeto, estaríamos inibindo que gente que quer se arriscar a produzir coisas grandes sem dispor de capital e lastro financeiro inicial desistisse antes de começar. É preciso conhecer um pouco mais o perfil dos empreendedores culturais para tomar qualquer decisão que realmente seja capaz de produzir um bom efeito. Se não, o único efeito será o de deprimir esse tipo de produção cultural. O mais grave ainda seria incorrer no erro que apontei anteriormente e deprimir toda a produção que hoje floresce sob os auspícios da Lei Rounet, em decorrência de ressalva ao que representa apenas 1,5% do patrocínio hoje.

  • Carlos Henrique Machado, 9 de maio de 2008 @ 11:55 Reply

    A pergunta que fica é, por que a grande “indústria cultural” não consegue ficar de pé, sozinha? Outra pergunta é imediatamente exigida, a indústria cultural, de fato foi, algum dia, viável? Aparentemente sim, mas só aparentemente. Ela se sustentou por um fiasco monopolista, ou seja, criou seus mitos, aparelhou-se de todas as formas para otimizar um cenário, uma lógica e, com isso, ter todo um comportamento convergente na direção de um consumo comportamental, com técnicas burlescas que criava miragem de moderno. A sensação de atraso, de perda sempre foi trabalhada pelo marketing da grande indústria do entretenenimento, dividindo os homens em categorias muito mais associadas ao consumo do que propriamente ao pensamento. Numa escala progressiva, o interiorano associado ao caipira e ao provinciano, em contrapartida, o homem metropolitano associado ao dinamismo, ao pensamento do novo, de novos horizontes. Nessa mesma proporção, a economia foi a grande detentora das verdades culturais, no entanto, com a chegada das novas tecnologias e do grau insuportável de convivência nos grandes centros urbanos em paises subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, ficou perceptível que todo esse processo de invasão, de distorção, era um blefe, tanto isso é verdade, que a primeira a sofrer com essa nova grande crise de identidade unilateral, foi a indústria fonográfica. Nunca mais teremos “mega-star”. Isto está bem claro. Essa uniformidade em torno de um pensamento único, de comportamento ensaiado, neutralizou as ações de base das culturas mundo afora. Esse fenômeno que reacende culturas locais não está acontecendo só no Brasil, porque isso, essa cultura, essa necessidade de se associar a um pensamento do seu próprio universo, é da natureza do homem e, cada vez mais, com essas novas ferramentas da internet, a invasão será rechaçada, o que haverá é um respeito maior entre os povos e, consequentemente, mais comunhão, mais troca de experiências e a compreensão de uma cultura mais humana, mais compartilhada, com menos ícones, com menos mitos, tipificados pela ilusão midiática. Isso é fator de extrema relevância e fundamental para as necessidades de convívio e convergência entre as sociedades no mundo. A xenofobia tende a ser menos acentuada, menos agressica como forma reacionária de um desequilíbrio e, muitas vezes, pelo discurso ufanista que se iguala com as lógicas do invasor para criar modelos de pensamento de intransigência e intolerância que são pedras que dão base ao caminho do totalitarismo e do cinismo fascista.

    Sustentar uma grande concentração de recursos em uma única ação, é um pensamento comprovadamente antiproducente sob qualquer lógica econômica. Hoje, até o capital especulativo sabe disso. Mesmo com o seu viés desumano, ele não atropela as próprias lógicas do mercado. A estruturação de um grande mercado cultural depende de uma construção sólida, uma teia, um corporativismo virtuoso. Gosto de utilizar a máxima do futebol, que ouvia muito quando ainda garoto, dos técnicos nas escolinhas de dente de leite, e acho que serve para a ampliação do mercado cultural, “quem desloca, recebe, quem pede, tem preferência do passe”. Ou seja, nada de chutão, bola de pé em pé, no chão, rasteira e redonda, se possível, no sentido do gol, é lógico.

    Poderia culpar aqui a nossa tão tradicional lógica civilizatória, afinal, fomos inaugurados culturalmente por uma mentalidade jesuita, catequista. Mesmo fracassada em sua lógica de transferência, ela deixou impregnada em nossos homens de comando essa forma de olhar a cultura de cima para baixo. Eles perderam, pois, para fazer parte da nossa história, tiveram que se misturar ao povo, tiveram que entrar no processo da miscigenação, o que, graças a Deus, até hoje, não paramos, para o bem da cultura brasileira.

    Não sei exatamente como se dá a “Virada Cultural” de São Paulo. O que me parece é que ela tenta fazer essa comunhão da sociedade e suas múltiplas escolhas. A imagem que tenho é essa, principalmente, nessa próxima edição que inclui o interior. Acho que, aos poucos, a tendência é evoluir ainda mais, incluindo mais e mais artistas da cidade e estado de São Paulo para uma grande confraternização entre a sociedade e o artista, seu representante na forma de ver o mundo através da arte.

    Enfim, meus amigos, o bom é que possamos entender que o Brasil pode sim, ter uma grande indústria cultural, mas esse processo tem que acontecer na base, cada cidade deve construir o máximo possível de formas e locais de expressões culturais, formando públicos, hábito de contemplação a arte, dando ao cidadão o direito de, pelo menos, por uma hora do seu dia, se emocionar, refletir, pensar o seu mundo. Depois que toda essa costura estiver feita, cidade por cidade, teremos sim, um enorme corredor. Talvez, a necessidade de um investimento seja só inicial e depois, naturalmente, essa indústria de muitos sócios seja de fato superavitária. O que temos hoje aí é uma coisa manca, dependente e, com certeza, incompatível com os anseios da sociedade. Este conceito de indústria precisa ser amadurecido e ter uma lógica um pouco menos afoita para que a racionalidade traga os dividendos desejados.
    http://www.myspace.com/carloshenriquemachado

  • Marcos, 9 de maio de 2008 @ 15:13 Reply

    Caro Kluk,

    Obrigado pelo retorno. Deixo meu email: mksp1974@ yahoo.com.br. Obrigado.

  • Maria Alice Gouveia, 11 de maio de 2008 @ 9:47 Reply

    Todo mundo fala dos grandes projetos como se eles fossem só de espetáculos – mas não, o que está dito é que esses projetos são de – recuperação de patrimônio – reforma e restauração de edifícios – manutenção de museus e outros equipamentos até públicos, porque desde o teatro Municipal até a Pinacoteca do Estado, todos dependem de captação na Lei Rouanet para sobreviver… Vamos pensar um pouco mais com a cabeça, por favor. Não se trata de indústria cultural, ainda que eu não tenha nada contra e ache que os projetos da indústria cultural dão emprego, formam técnicos e disseminam tecnologias. Abraços

  • Carlos Henrique Machado, 11 de maio de 2008 @ 18:24 Reply

    Concordo com Maria Alice Gouveia, também acho que devemos ter uma indústria cultural autônoma, produtiva, sobretudo independente. Falta-nos uma, pois o que temos hoje são ações mimadas pela Lei, uma espécie de empreendedores cangurús que não conseguem sobreviver sem se alimentar da mãezona Lei Rouanet. Fazem uma espécie de motim quando perdem privilégios. Aliás, o que parece é que há uma asfixia no atual estagio da nossa política que faz com que Agripinos se valham de gritas democráticas para cobrarem verdades. Em qualquer esfera, seja ela em espetáculos grandiosos, recuperação de museus, levantamento de monumentos e etc. deveriam ter, obrigatoriamente, um sentido público, mas público mesmo, não só no compromisso estatutário. Talvez a questão esteja na necessidade imediata do lucro, sem levar em conta um conceito maior, que é o próprio país, onde a arrecadação dos louros seja infinitamente mais eficaz. Concordo mesmo com Maria Alice. Temos que, verdadeiramente pensar grande.

  • Tiago Campany, 12 de maio de 2008 @ 15:26 Reply

    Muito bom o artigo. Senti falta de alguns gráficos talvez. Facilita o entendimento e a visualização. De resto, sempre bom saber que tem alguém disposto a analisar os números do ministério de forma imparcial. Parabéns.

  • Flavia, 3 de dezembro de 2008 @ 14:27 Reply

    Olá Kluk,

    Gostaria de receber os arquivos (pdf do MinC, seus filtros, etc..) que vc concordaria em disponibilizar. Atualmente curso pós graduação em Gestão de Projetos Culturais (ECA-USP), e essas referências seriam muito importantes para minha pesquisa. Meu email: flagons2004@yahoo.com.br
    Obrigada
    Flavia G

  • Felipe Barroz, 22 de fevereiro de 2009 @ 14:05 Reply

    Ola amigo! Nao sou de ficar fazendo comentario, mas eu queria parabeniza-lo pelo otimo site que voce tem! Continue com esse otimo trabalho!

  • geraldo maia, 8 de março de 2009 @ 14:19 Reply

    legal o jogo de numeros, dá pra brincar legal com eles, e deve ser isso mesmo, por aí, só que tem outros números que foram omitidos (propositadamente?), os que expressam o volume do que corrompido, desviado, caixadoiszado, simplesmente roubado, isso desde o início, tanto que virou praxe, normal, por isso não se fala, o “poder” dado aos departamentos de marketing e aos donos dsas empresas gera uma série de distorções qwue não tem como evitar porque a Lei foi criada para esse fim, cointemplar o “estado mínimo” e garantir o “controle” da produção cultural fora dos braços estatais, a iniciativa privada (em todos os sentidos) banca então que controle a bagaça. Mas não há controle para o lucro, para a ganância, para a usura, para a agiotagem, para a lavagem de dinheiro. E a Lei de Mecenato foi criada para lavar dinheiro e “censurar” a produção cultural. Porque cerca de 4 mil projetos numa população de 180 milhões é risível cinicamente falando. Viva a democracia mesmo, viva a liberdade mesmo, não só para meia dúzia de “descolados”. Qual é? Liberdade é para todos nós, democracia idem, esse entulho neoliberal chamado “Lei Rouanet” precisa ir para o esgoto mesmo, e em seu lugar novas (outras) formas de financiamento da produção cultural poderão ser criadas para beneficiar a imensa demando reprimida, oprimida, que o estado precisa contemplar.O povo sabe o que quer, é só perguntar que ele ensina como deve ser feito, não os pretensos iluminados cuja “luz” consome uma grana obscura.

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