No próximo sábado, dia 3 de outubro, às 18 horas, é dia de conferir uma das mais importantes exposições do calendário nacional, o Panorama da arte brasileira no Museu de Arte Moderna de São Paulo, que completa 40 anos com uma edição inusual e controversa.
Ao longo do tempo, o Panorama se estabeleceu como uma das mais importantes mostras do cenário artístico nacional, mas esta 31° edição, que tem nome em Tupi – “Mamõyguara opá mamõ pupé” – que significa “estrangeiros em todo lugar”, apresenta seleção que traz cerca de 30 artistas estrangeiros.
A frase foi traduzida na língua indigna originária do povo Tupinambá, para a mostra e vem de uma expressão cunhada por um grupo anarquista italiano de combate ao racismo. A mesma frase já tinha sido apropriada pelo coletivo francês Claire Fontaine (formado pela italiana Fulvia Carnevale e pelo irlandês James Thornhill, que vivem em Paris). A ideia é simples e brilha em neon, “Foreigners everywhere”: mantém o duplo sentido de que há estrangeiros por todos os lados e de que não importa para onde vão, os artistas são estrangeiros.
O curador Adriano Pedrosa optou por exibir artistas de fora do país cujas obras são influenciadas pela cultura e arte brasileiras, em vez de fazer um novo recorte da produção de artistas nacionais. A idéia é colocar em xeque o conceito territorialista da arte, que a classifica de acordo com o país ou a região onde se dá.
Há duas categorias entre os artistas selecionados. A primeira e mais numerosa (cerca de 20 nomes) é de artistas que já possuem uma trajetória reconhecidamente influenciada por aspectos da cultura brasileira, e não só pontual. A outra são dos artistas residentes, os brasileiros, que também estão presentes.
Entre os estrangeiros:
O alemão Franz Ackermann, que mostra em seus trabalhos referências explícitas ao tropicalismo e à arquitetura brasileira em colagens e pinturas nas quais emblemas como o edifício Copan, projeto de Oscar Niemeyer no centro de SP, se mesclam ao próprio retrato do artista, confundindo-se e saltando de seus olhos. (veja foto)
E “Repeat after reading (bim bom)”, do venezuelano Mauricio Lupini, a partir de João Gilberto (clique no nome a baixo e veja o vídeo)
Pedroso afirma: “se com a antropofagia, a partir do modernismo, era o intelectual brasileiro que se apropriava da cultura européia para digeri-la e produzir algo próprio, agora é a nossa cultura que está sendo canibalizada pelo estrangeiro”.
O evento conta com o patrocínio do Credit Suisse e com inúmeros apoios e incentivos, entre os quais o da Lei Mendonça (lei municipal que permite que uma pessoa física ou jurídica patrocine um projeto cultural e deduza do seu ISS ou IPTU parte do valor investido) Lei Roaunet, Fundo Nacional de Cultura e Ministério da Cultura.
SERVIÇO:
Exposição Mamõyguara opá mamõ pupé na Grande Sala e Sala Paulo Figueiredo Visitação: 4 de outubro a 20 de dezembro de 2009, Horários: Terça a domingo e feriados, das 10h às 17h30 Endereço: Parque do Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 3) Ingresso: R$ 5,50 Sócios do MAM, crianças até 10 anos e adultos com mais de 65 anos não pagam entrada. Aos domingos, a entrada é franca para todo o público, durante todo o dia.
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