A tragédia anunciada se deu nessa quinta-feira (29): um dos galpões da Cinemateca Brasileira – fora da sede da instituição – foi consumido pelo fogo. Com ele, foram perdidas cerca de 4 toneladas de documentos sobre a história do cinema brasileiro, equipamentos que eram relíquias para um futuro museu e parte do acervo de Glauber Rocha.
Há mais de um ano, o galpão armazenava uma grande parte dos arquivos de órgãos extintos do audiovisual, com trabalhos da Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme), Instituto Nacional do Cinema (INC) e do Conselho Nacional de Cinema (Concine); uma parte do acervo de documentos do cineasta Glauber Rocha; partes do acervo da distribuidora Pandora Filmes, do acervo produzido por alunos da ECA-USP em 16mm e 35mm e do acervo de vídeo do jornalista Goulart de Andrade; equipamentos e mobiliário de cinema, fotografia e processamento laboratorial; matrizes e cópias de cinejornais, trailers, publicidade, filmes documentais, filmes de ficção e filmes domésticos; e elementos complementares únicos de matrizes de longas-metragens.
Em nota, a Secretaria Especial de Cultura, responsável pela gestão da Cinemateca desde 2020, informou que lamenta profundamente o ocorrido. O secretário Mário Frias afirmou, via Twitter, que solicitada uma investigação da Polícia Federal para apurar as causas do incêndio.
Segundo informações do corpo de bombeiros, o fogo teve início durante uma manutenção do ar condicionado, realizada por uma empresa terceirizada contratada pelo governo federal. Uma faísca teria dado início ao incêndio, e os funcionários da empresa não conseguiram controlá-lo.
Em maio, Justiça Federal deu prazo de 45 dias para que o governo provasse que estava trabalhando para garantir a conservação do acervo, após entidades da sociedade civil entrarem com uma ação pública para que o governo tomasse medidas em favor de uma retomada do conselho deliberativo do órgão e da contratação de ex-funcionários especializados. No último dia 20, o MPF alertou o governo federal para o risco de incêndio.