A posição do Caetano e outros, tem como consequencia a defesa da lei Azeredo- AI5-Digital. A flexibilização e um novo equilíbrio p direito autoral foi política do governo Lula, construída com a sociedade civil . O produtor, editor, estúdio, técnicos etc…fazem parte da nova cadeia produtiva. Todos, além do autor, devem receber a partilha do trabalho. O que não pode é uma indústria intermediária que não existe mais no cenário da Internet continuar intermediando e faturando. ( Marcelo Branco)

Por trás do palavrório patriótico, a ministra Ana de Hollanda traz uma mensagem portadora de razões objetivas para prosseguir não só defendendo aferradamente o Ecad, como assentando o fruto do neoliberalismo cultural nas novas realidades e disciplinas do espaço cultural brasileiro.

Não é preciso tantas reflexões para perceber que Ana de Hollanda particularmente estimula um laboratório de geografia política que busca um mercado neoliberal de cultura. Logo no primeiro capítulo, Ana busca uma interpretação caótica para defender os criadores brasileiros, mesmo sabendo que a maioria das criações não é considerada pelo Ecad sequer como subproduto de suas políticas de distribuição.

Portanto, independente da autorização de cada autor, as multinacionais que controlam o Ecad o fazem nos espaços públicos e, agora, com Ana de Hollanda no comando do MinC, as práticas do Ecad ganham status de política de Estado.

Uma das características do neoliberalismo é criar uma esquizofrenia nos espaços geográficos e, assim, as multinacionais que comandam o Ecad atacam as atividades criativas e o pensamento livre para lucrar cada vez mais produzindo cada vez menos.

Ana de Hollanda e seus afins tentaram criar uma torre de babel sobre a questão dos direitos autorais e da soberania da nossa cultura para causar vertigens conceituais na sociedade dando a ela uma explicação confusa para ser confusamente percebida.

Ana só não imaginava colher um fruto tão amargo com críticas extraordinárias ao seu abuso de poder. Se Ana de Hollanda criou uma fábula dizendo defender o criador, o compositor brasileiro e a soberania do país, a cada dia suas filosofias são desmascaradas em quantidade e qualidade com artigos preciosos que permitem um entendimento limpo e transparente sobre o que está por trás desse jogo de poder.

Até então não se ouviu da ministra nada que se configure em projeto nacional. Sua contrapartida às políticas de Gil e Juca está focada, sobretudo na dissolução das ideologias que fortaleciam os movimentos populares protagonizados pela população, os quais o MinC, no governo Lula, irrigou com suas políticas como a principal semente da cultura brasileira. Ana parece querer sustentar a tirania da informação e do dinheiro. Por isso fala em benefício exclusivo dos poucos artistas que ganham com a massa de recursos extraída dos espaços públicos da sociedade brasileira que vai para as multinacionais.

A equação é simples, a indústria fonográfica multinacional quebrou. Sua forma de sustento hoje no Brasil se dá através do controle do Ecad que vem batendo recordes de arrecadação ano após ano, mostrando a perversidade desse mecanismo, ou seja, as multinacionais quanto menos produzem mais arrecadam. E o que é o neoliberalismo global senão esta forma de busca pela exploração dos povos pelos sistemas de super lucro.

A linguagem anti-imperialista surpreende, vindo de onde vem. Os defensores da tese são os sócios locais da indústria cultural internacional, sobretudo do setor fonográfico – empresas nada nacionais como a Warner, a Sony, a EMI e a Universal. Obviamente, a acusação é apenas um jogo retórico, mas como tem encontrado algum eco, não seria despropositado relembrar alguns fatos básicos.

No mercado de música brasileiro, os autores são brasileiros, mas as empresas são estrangeiras. O discurso pseudo-nacionalista só pode funcionar porque o Brasil tem uma situação ímpar: é o único país, fora os Estados Unidos, onde o consumo de música nacional é superior ao de música estrangeira. No entanto, essa música nacional é explorada por empresas majoritariamente estrangeiras: a Warner, a Sony, a EMI e a Universal. O que temos, portanto, é uma associação entre os grandes autores nacionais (os velhos nomes da MPB e os novos nomes do pop e do sertanejo) e as grandes empresas internacionais.

O Brasil é altamente deficitário em direito autoral. Se há ainda alguma dúvida que a exploração do direito autoral é interesse estrangeiro, basta olhar a balança comercial de direito autoral do país com os Estados Unidos. Todos os anos enviamos mais de 2 bilhões de dólares como pagamento de direito autoral (em todos os setores – não apenas música). Os americanos, por sua vez, nos pagam apenas 25 milhões”. (Pablo Ortellado).

Ao contrário da ideia de integridade nacional, esse caldo de cultura do novo MinC com o Ecad nos leva à quebra da cultura nacional. Quando a ministra da cultura defende o Ecad e subordina o MinC a seus interesses, ela tenta desfazer a queda de braço do Estado com as multinacionais que controlam esse órgão privado, condenado em CPI, que vem se  especializando em extorquir o cidadão brasileiro em suas atividades comuns nos espaços públicos. É ai neste sistema perverso de exploração que o Ecad vem obtendo cada vez mais arrecadações milionárias.

A tendência que o MinC quer seguir, sob o atual comando, é ser arrastado à subordinação do processo da globalização cultural. É esta a pedagogia do novo MinC e sua secretaria da economia criativa, estimular sem limites uma das faces mais perversas da globalização financeira.

A hegemonia do Ecad é a própria hegemonia das multinacionais que cria um emaranhado de técnicas a partir do qual esse órgão passa a ter poder fiscalizador sobre cada compositor e cada cidadão brasileiro sem que ele próprio, o ECAD seja fiscalizado.

Ana de Hollanda insiste que, em nome de acordos internacionais, o Ecad, controlado por multinacionais, não pode se subordinar às leis brasileiras. E, com isso, uma ministra de Estado estimula, aí sim, a prática institucional da pirataria cultural, transformando em terra de Malboro o ambiente cultural brasileiro, aonde um sistema transnacional comandado no Brasil pelo Ecad põe toda uma sociedade de joelhos.


Bandolinista, compositor e pesquisador.

19Comentários

  • Hananias, 1 de março de 2011 @ 21:34 Reply

    parabens uma maravilhosa materia fantastico

  • Manoel Neto, 2 de março de 2011 @ 0:34 Reply

    Muito bom Carlos, contra fatos não existem argumentos.

  • JC Lobo, 2 de março de 2011 @ 10:52 Reply

    Muito bem, Carlos. Mas esse sistema formado pelo ECAD e suas associações funcionam minimamente, seria um erro não admitir isso. Claro que operam cheios de pontos obscuros, zonas cinzentas, coisas estranhas. A sensação que me dá é que o ECAD e suas associações formam uma espécie de sociedade de favorecimentos mútuos. Nota-se que alguns poucos criadores, numa relação promíscua com editoras e gravadoras multinacionais, promovem um grupo de colegas que formam a sua base de apoio (são sempre gravados, tem uma música inserida numa novela volta e meia, coisas assim). Até mesmo os “nacionalistas”, com um discurso pseudo-esquerdista, tem a seu modo a mesma prática clientelista (o caso denunciado num blog , não me lembro qual, sobre o selo CPC-UMES). É aquilo que, na gíria dos sindicalistas, chamam de peleguismo. Pelegos fazem de tudo pra não largar a rapadura. Pra desviar a atenção, inventam esses bodes expiatórios (pau creative commons, pau nas mudanças propostas pra lei,pau na suposta “conspiração” do google com as telefônicas pra acabar com o direito autoral, etc.). Tudo pra tirar o foco de cima deles. São questões que mereciam uma análise aprofundada. Pelo que leio aqui e acolá, é o que deduzo. Mas que deve ter muito mais caroço debaixo desse angu, isso deve. No momento eles (do ECAD) devem estar em festa, já que conquistaram de forma inesperada o poder no Estado. Mas isso é uma bomba relógio que mais cedo ou mais tarde vai explodir.

  • gil lopes, 2 de março de 2011 @ 14:42 Reply

    A gente carrega isso, a mitologia esquerdista que não nos ajuda, atrapalha e muito na compreensão dos problemas e na construção das soluções. Mas não somos só isso, pelo contrário, nosso processo de democratização constitui nossa vitória. Demonizar multinacionais é muito fácil, difícil é admitir as vantagens nas parcerias. Como avaliar o sucesso das parcerias?
    O Minc está mudando, e ainda bem, precisa mudar mesmo, no âmbito da cultura nossos resultados são terríveis, nossas leis precisam ser ajustadas, nossa realidade ultrapassa os termos da lei, é preciso atualizá-las no rumo da geração de desenvolvimento, economia e renda. É preciso estabelecer a economia criativa. Tem gente que vê nisso o inferno, a mitologia atrasada tem parte nisso. Sonharam com Dilma entrando de sola na canela quando todo mundo espera dela tolerância, compreensão e ação para o desenvolvimento, para a luta contra a falta, a carência, a pobreza, sobretudo a de espírito. Atentar agora contra a Ministra Ana é atentar contra Dilma, demorou pouco. Mas precisamos mesmo é de união, sem ela é muito difícil. A teoria do continuismo só pode ser credível se produzir alianças, novas alianças. A hegemonia do PT depende disso e Dilma sabe disso.

  • Claudia, 2 de março de 2011 @ 21:00 Reply

    Impecavel texto Carlos, matou.

  • JC Lobo, 3 de março de 2011 @ 9:13 Reply

    Prezado Gil: concordo que existe uma mitologia que prejudica o debate. Mas isso não é privilégio da esquerda: a direita, o centro e etc. também se abastecem de seus próprios mitos, tão ou mais equivocados. Por exemplo: foi a parceria com as multis que construiram um modelo de sucesso ou foram as políticas públicas de isenção fiscal que permitiram que a MPB ocupasse a fatia majoritária do mercado? As multis gravaram MPB por motivação econômica, mas às custas de sacrificar a diversidade estética da nossa música. Por outro lado, jamais promoveu nossa música no mercado externo (exceto quando alinhada com a estética do pop). No mais, vendia o “exotique”, elevada a condição de “world music”. Hoje vemos a participação da MPB caindo vertiginosamente. Ou ou dados eram falseados ou tem algo muito grave acontecendo. Por fim: novas hegemonias exigem novas alianças, isso que você fala é verdade. MAs, se tua leitura estiver certa – confesso que não vejo isso claro no conjunto do governo – na área da cultura ela está chutando fora boa parte de seus eleitores. E isso vai ter consequencias nada agradáveis para a governabilidade. Vamos aguardar os próximos capítulos. Agora, sobre direito autoral, a questão do ECAD é chave. A remuneração no mundo digital não vai progredir com esse modelo de monopolio privado sem supervisão pública. Incrível que algo óbvio no resto do mundo democrático seja aqui um tabu que está endossado pelo MINC na atual gestão. Com essa visão, a situação da MPB no mercado só tende a piorar.

  • Bruno Cava, 3 de março de 2011 @ 10:26 Reply

    Salve, mestre Carlos, o melhor texto dentre os opinativos deste site.

    Eu quero saber o que fazer com técnicos de som, produtores culturais, designers, roteiristas, fotógrafos, blogueiros, críticos, promoters, montadores de palco, eletricistas, jornalistas culturais, maquiadores, faxineiros, assessores de imprensa, seguranças, com toda essa cauda longa de trabalhadores da cultura que vivem de bicos e contratos temporários e que nunca receberam nem receberão um tostão em “direito autoral”. E que dizer da multidão de jovens produtores e artistas?

    Aliás, é até erro conceitual achar que direito autoral remunera autor. Se o produtor fosse remunerado diretamente pelo produto, viveríamos num mundo comunista. Mas há a alienação do trabalho, e boa parte da renda é extraída pelos circuitos de captura dos atravessadores (indústria, empregador, estado/imposto).

    E nesse processo de captura se dá a divisão social: o medalhão ganha mais (daí cumprir escala para promover o dir. autoral que o legitima em primeiro lugar) e o operário da cultura, o suficiente pra não morrer de fome e continuar precário, vendendo a mão-de-obra a preço de banana, humilhando-se nas mãos dos latifundiários culturais (ex.: indústria Globo).

    É assim que funciona a indústria cultural, e é esse modelo de mercado empresarial que o MinC pretende fomentar, numa guinada de 180 graus.

    O MinC era a vanguarda propositiva do governo Lula, a Cultura Viva/Pontos era um programa central, porque qualificava toda a política social, fazendo do pobre um produtor.

    Agora, o MinC se tornou a retaguarda mais reacionária, mais tucanizada do governo Dilma.

    Pode não ser autista, mas é absurdo.

  • Leonardo Brant, 3 de março de 2011 @ 11:26 Reply

    Bravo! Carlos. Seus argumentos são precisos, mas há uma distorção e uma associação impertinente deles em relação aos atos e discursos da Ministra. Acho forçoso demais atribuir a defesa dos criadores a uma defesa do ECAD. Pelo contrário. A defesa dos criadores passa pela proteção dos autores, inclusive contra o ECAD, contra a indústria cultural globalizada e contra alguns defensores da cultura livre, que se locupletam do conteúdo gratuito em causa própria.

    Não há nenhum indício, no discurso e nos atos da Ministra, de que ela será conivente com o ECAD. Pelo contrário, ao conhecer de perto o sistema, ela tem mais condições de aprimorá-lo, diferente dos tempos tenebrosos do MinC, onde o ocupante da cadeira não entendia nada do mercado cultural e da cada vez mais difícil vida dos artistas, mas promovia um discurso falacioso e demagógico, sem entender os efeitos reais sobre a vida de quem vive de cultura.

    Precisamos separar bem o joio do trigo para não virar uma oposição acéfala, com interpretações maldosas. Identifico muito claramente quais os grupos que tentam minar e desestabilizar a ministra mesmo antes de ela tomar posse. E tb quais os interesses em jogo.

    O que eu sei é que o Juca Ferreira deixou um Ministério em frangalhos, sem qualquer condição de se movimentar, com dívidas, relações eticamente contestáveis com beneficiários de dinheiro público. Essa é a grande dificuldade do MinC.

    Acho que a ministra vem tentando promover uma (necessária) quebra no discurso demagógico e um equilíbrio maior entre os efetivos ganhos da cultura livre e uma sobrevida dos direitos autorais, que ainda é fonte de recursos para boa parcela de artistas e da indústria cultural, inclusive nacional.

    Outra coisa: esse discurso nacionalista não é da ministra. Pode até ser alguns defensores da minista, mas não dela. Isso é outro tipo de associação indébita.

    Acho que a maneira mais interessante de promover o contraditório e a oposição aos atos da ministra é nos atermos ao que ela diz e faz e não ao que os outros, muitas vezes maldosamente, atribuem a ela.

    O governo tem pouco mais de 60 dias de mandato. Não deu tempo nem de saber o tamanho do rombo provocado por Juca Ferreira. Estou vigilante, mas não quero fazer a execução sumária da ministra, simplesmente porque isso não seria honesto.

    Um grande abraço, LB

  • gil lopes, 3 de março de 2011 @ 11:50 Reply

    Isenção fiscal não produz nada, induz. Quando é elaborada corretamente acontece isso, o investidor vem, se utiliza dela e produz resultado. Foi assim com a música brasileira. É um bom exemplo de lei de incentivo privilegiando o conteúdo nacional. Quando isso acontece o conteúdo nacional se afirma e corresponde, alcançou a liderança com folgas no mercado interno e se expandiu para o exterior. O sucesso da música brasileira é incontestável, assim como sua debacle atual por conta da ausência de economia na circulação dela no novo meio, na Internet.
    A mitologia esquerdista que atrasa é o modo de se relacionar com o parceiro estrangeiro, a incapacidade de avaliar os conseguimentos com a parceria, o preconceito na análise. Isso independe de lado, pode ser de esquerda, centro ou direita, o mito esquerdista ultrapassado impede pensar no desenvolvimento, atrapalha.
    A vanguarda propositiva hoje é tecnológica e não temos respondido a ela, estamos atrasados, perdemos muito tempo com sub-temas como o Criativo Comum que só é discutido, incrível!, aqui no Brasil. Em nenhuma outra parte do mundo isso é assunto. O mundo quer saber como vai gerar e produzir riquezas no novo ambiente tecnológico. A questão central é como vamos produzir direitos. Direito autoral sim, se conseguirmos produzi-los. Pra onde vai o conteúdo nacional? Onde ele está? Como vamos promovê-lo, capacitá-lo para o embate cultural no convívio com o estrangeiro?

  • Carlos Henrique Machado, 3 de março de 2011 @ 14:44 Reply

    Leonardo

    Não se esqueça que Ana foi quem iniciou os julgamentos dos oito anos da gestão do MinC do governo Lula. Aliás, gestão da qual ela de certa forma fez parte como sob a mesma tutela de Antonio Grassi. Estamos agora na segunda versão dessa tutela e, assim como a primeira, a dupla Antonio Grassi e Ana de Hollanda, mantém a mesma gestão de macetes e segredos e sempre num ato de confronto com a sociedade, por isso foram demitidos por Gil. E você deve se lembrar muito bem como foi tumultuada a gestão de Grassi e Ana na Funarte. Aquela gestão é um verdadeiro documento de uma gestão caixote controlada por ambos e que ficou marcada como a maior crise da história da Funarte.

    Quanto à questão do direito autoral, dizer que o Creative Commons é o inimigo fatal do criador, como Ana deixa transparecer como um trunfo político, o estilo medieval do Ecad permite apenas que as multinacionais que perderam mercado, controlem inclusive a manifestação da sociedade nas ruas, em lugares públicos para manter o que podemos chamar de círculo azul, uma zona de meia-dúzia que, de forma indireta, se locupleta pelo olimpo do jabá do truque de ser o mais tocado nas rádios e, portanto, ter o direito de ficar com as arrecadações de milhares de criadores nessa inclassificável forma de degradação de personagens que são criadores, mas que não têm seus nomes na lista dos famosos, não são grifes e, portanto não tem salvo conduto para sugar o sangue dos seus parceiros.

    Leonardo, a ficha técnica da ministra Ana de Hollanda é um prontuário de esquizofrenia, de desafinações e guinchos. Não há nada de útil em suas ráticas pra vida dos milhares de compositores. No menu de opções do novo tratado MinC/Ecad, o ponto importante é o botão direcional que aciona o ganho da indústria multinacional recomendado pelo sistema de difusão.

    O que todos queremos e o que é possível é alterar o ângulo da coluna vertical. O que significa isso? Eu não quero estar associado ao Ecad porque ele me prejudica. Sou criador, compositor, como a ministra pretende resolver o meu problema, já que se diz amante dos criadores?

    Quero ter o direito de não ser colocado como isca de um tubarão como o Ecad. Aí, fica a pergunta: Ana vai comprar a minha briga ou é amiga da onça do Ecad?

    Para terminar, quero falar dos pontos de cultura sobre os quais pretendo escrever com muita tranquilidade. O grande projeto do governo Lula foram os pontos de cultura, pelo Minc de Lula e, sobretudo de uma característica de grande sensibilidade de Celio Turino que jamais se colocou como chefão dos pontos de cultura, mesmo sendo um nome extremamente querido não só pelos líderes dos pontos de cultura, mas também por políticos que vêm nele o grande piloto desse projeto de fusão MinC/Sociedade.

    essa política inquisidora de Ana de Hollanda como testa-de-ferro de Grassi, ainda vai gerar uma crise dentro do governo Dilma que podem ter desastrosas consequências, sobretudo depois do episódio do Emir Sader, ela tem uma rejeição quase unânime dentro do PT, que é em tese o partido que confiou a ela a pasta.

  • marisa gandelman, 3 de março de 2011 @ 15:14 Reply

    Leonardo, muito oportuno o seu comentario. Li hoje a coluna do Jotabê Medeiros no Estadão online e lá ele faz mais uma acusação à Ministra. Diz que ela trocou o notável curador Paulo Herkenhoff da organização do festival Europalia, na Bélgica, apressadamente, alegando que o valor do projeto era muito alto. Depois ele dá a entender que não concorda com a troca porque a divulgação da cultura brasileira no exterior é uma estratégia adotada pelo Gilberto Gil, inspirado em modelos europeus muito bem sucedidos.

    Não resta dúvida que o Paulo Herkenhoff é um notável curador, de conhecimento invejável na área das artes plásticas e da produção de exposições e outros eventos ligados às artes visuais. Não resta dúvida tambem que a estratégia de difusão da cultura brasileira no exterior é da maior importância. No entanto, alguem sabe qual o valor do projeto que o atual ministério julgou ser muito elevado? Será que o Jotabê Medeiros procurou saber como foi feito o orçamento do projeto aprovado pelo ministério do Juca Ferreira?

    Estamos tambem de olho e penso que seria no mínimo sinal de boa educação deixar a Ministra trabalhar e enquanto isso olhar os problemas deixados pelo ministerio anterior que passou a ocupar o cargo de vítima e pobre coitado porque teve sua maravilhosa gestão interrompida por um bando de ignorantes e vendidos ao sistema contra o qual os heróis libertarios lutaram. O argumento é muito simplista, usado por quem não quer mudar nada, ou não quer debater, mas apenas impor um pensamento único, contra o qual ninguem pode discordar. Quem discorda entra para a turma dos vilões e parece que vai ter de pagar por isso.

    Se deixarem a Ministra trabalhar, poderemos então, conforme voce sugere, obter os elementos necessários para estabelecer um contraditório. Tomara o contraditório que venha a se estabelecer seja um pouco mais interessante e profundo do que essa discussão maniqueista e superficial dos liberais contra os conservadores, os modernos contra os atrasados, os digitais contra os analógicos. Que seja tambem mais colorido do que o debate promovido pela gestão anterior que se apegou a uma visão única no tema dos direitos autorais e passou toda a sua administração repetindo que a lei brasileira é atrasada, injusta e impede a difusão da cultura, cabendo, portanto, ao ministério livrar heroicamente a população dos males por ela causados.

  • Carlos Henrique Machado, 3 de março de 2011 @ 16:01 Reply

    A questão, Bruno e JC, é a crise da indústria do entretenimento. Ana de Hollanda e Grassi estão tentando fazer do MinC a nova versão da indústria comportamental. Colocaram a cultura num balcão de promoção e, com isso, tentam trasnformar o MinC numa feira de entretenimento estatal. Então, todos os objetivos da antiga indústria caça-níquel passa a ser o console do novo MinC que já nasce velho em sua visão eletrônica porque é arcaico em sua visão política.

    Ana de Hollanda é o braço mecânico de Grassi que vive preso na armadura corporativista dos medalhões globais. Eles se juntam a robôs eletrônicos (fakes)para atacar, em blogs progressistas, o governo Lula e suas políticas para a área da cultura porque têm que cumprir uma agenda do mercado neoliberal. Isso não é uma batalha de técnicas, é tentar fazer o mercado explorar o Estado, a sociedade em qualquer lugar em que ela esteja, principalmente nos espaços públicos, uma mina de dinheiro. Se querem ter uma ideia da infelicidade do tutor de Ana, Antonio Grassi, é só ver as entrevistas anteriores dele à caça de público para servir de bucha de canhão dos medalhões do teatro global.

    Ana usa o papel carbono para seguir a mesma linha em defesa dos medalhões do Ecad para transformar o MinC num elefante de ouro. Os dois conseguiram em 60 dias criar uma crise sem hora pra acabar, a não ser quando os dois forem sacados como hoje é voz corrente dentro do PT. Aguardemos os próximos episódios desse trem-fantasma desgovernado em que o MinC foi transformado e, consequentemente a reação da militância do PT e de importantes quadros políticos que já estão de saco cheio do casal 20, Ana e Grassi.

  • Bruno Cava, 3 de março de 2011 @ 16:07 Reply

    Prezados,

    Quem precisa da arrecadação do ECAD? não o pobre.

    O pobre precisa de xérox, download, remix, camelô, genéricos.

    Dizer que isso é se locupletar é criminalizar a pobreza, que não ´novidade.

    Dizer que isso é a doença infantil do esquerdismo é achar que vivemos num país sem desigualdade social.

    O governo Lula foi tão avançado na política cultural não porque moderninho ou afinado com gurus internacionais, mas porque priorizou os pobres.

    Reforma da LDA é um ângulo desse olhar ao pobre; outro é a concepção de rede produtiva, transversal, por fora da indústria, da Globo, da aristocracia carioca enraizada nesse “mundinho da cultura”.

    Todo o projeto dos Pontos de Cultura/Cultura Viva tem esse foco: estender a produção cultural aos pobres, na periferia e no interior, na Roraima e no interior de Santa Catarina, pelas minorias, pelos movimentos negros, indígenas, quilombolas.

    Empodera o pobre a também produzir e não somente consumir.

    O passivo do MinC é irrisório comparado a outras áreas do governo. Mas veja o ativo: é imenso, disseminado, transformador, revolucionário.

    Claro que, numa lógica míope de mercado, isso não aparece, porque o mercado funciona com números, com valor de troca, e não com a geração de riqueza desmedida, porque extensa e capilar, difusa (porém a chave do sucesso e estabilidade do governo Lula, como se viu no PBF).

    Afinal, o estado não gera cultura, fomenta-a. Tem a opção de fomentar a cultura viva que já existe e pulsa no Brasil inteiro (e que não interessa à indústria cultural/entretenimento), ou a “classe artística”.

    Segundo o IPEA, são 8,4 milhões de contemplados pelo programa, direta e indiretamente. O governo pode bancar a perda dessa base, despriorizando-a em benefício dos PAC/infraestrutura/centralização de recursos?

    Que eu saiba Ministério da Cultura e não dos Artistas ou da Criação Artística. No centro da cultura o que existe? Não a Criação, mas a Cultura.

    Que cultura? Não o “mundinho da cultura”, mas a cultura como mundo, que qualifica todas as políticas sociais e econômicas de um governo supostamente de esquerda.

    Dizer que se trata de mera disputa por cargos, é admitir uma visão de ocupação de espaços e divisão dos dividendos, de loteamento do estado, como se não houvesse, nessa guinada, uma profunda mudança de pensamento e ação políticas.

    O erro é tremendamente político, e o governo, o PT, o movimento tem mesmo que agir. Antes que seja tarde, porque as conquistas ainda precisam ser consolidadas.

    Quem elegeu Dilma, é base de sustentação de Dilma, e tem alguma chance de salvar o governo Dilma numa futura crise induzida pela imprensa, são os pobres.

    Assim foi durante os oito anos do governo Lula, que o governo Dilma continua (ou é legítimo esperar que continue).

    Vamos, nós que fomos lulistas e dilmistas, e participamos de alguma forma das forças que constróem esse governo desde 2002, vamos abrir os olhos para esse ministério-problema. É um convite singelo.

    Abraços.

  • Leonardo Brant, 3 de março de 2011 @ 16:16 Reply

    Carlos, onde está essa declaração da Ministra em relação ao Creative Commons? Isso é uma suposição. Ou melhor, uma campanha para derrubar uma representante legítima do processo democrático. Oposição é bom, vamos fazer com classe e argumentos legítimos. Golpismo não!

  • Carlos Henrique Machado, 3 de março de 2011 @ 16:52 Reply

    Golpismo eu Leonardo?
    Tivemos aqui eu e vc acalorados embates quando eu abertamente defendia Lula e Dilma.
    Ana não so atacou como retirou do saite do MinC o CC.

    Para que fique clara a minha posição outra vez de novo vai ai a minha resposta a Fernando Brant publicada no Estado de Minas, veja adata.
    Compositor e músico rebate crônica de Brant
    07/07/2010

    Estado de Minas – MG, Cartas, por Carlos Henrique Machado Freitas, em 7/7/2010

    “A crônica ‘Com medo de ser infeliz’, de Fernando Brant (Cultura, 30/6), um dos grandes compositores brasileiros, não reflete o pensamento de todos os músicos. Longe de mim pensar que há no manifesto de Brant uma pretensiosa e falsificadora deformação, mesmo que ritualizada por um idealismo anti-Lula. Pois bem, matutando sobre os valores intrínsecos e todo um conceito de justiça que a sua valiosa contribuição ignora quando deveria repudiar, é o papel criminoso e deformador de um órgão privado que se manifesta como um agente público para misericordiosamente massacrar o compositor brasileiro, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). Logo na abertura do seu texto, Brant fala da liberdade como um imperativo para as questões dos direitos autorais e cita os períodos sombrios da ditadura, mas se esquece de citar que o Ecad, um órgão paraestatal, nasceu no período áureo do de exceção. Rigorosamente, não há como produzir uma crítica sem estabelecer em que ambiente e nas mãos de quem vive o direito autoral (a vida, a dignidade) dos músicos brasileiros. Um Ecad com mãos de ferro fecha as cortinas sobre quando, como e quanto arrecada de cada músico sem autorização de nenhum de nós. Acho mesmo que nada devemos temer quanto a um grande debate diante de uma nova realidade sobre os direitos autorais com a chegada das novas ferramentas da comunicação. Devemos, sim, estabelecer a proteção da dignidade dos músicos, dos compositores, que, em muitas vezes, como no meu caso, tiveram que pagar ao Ecad para executar as suas próprias obras para que ele e as associações que o compõem ficassem com 30% do valor pago e somente meses depois, após insistentes cobranças, é que conseguimos receber 70% do valor que pagamos para executar as nossas próprias composições. Tudo isso somado aos disparates de não ter acesso ao que o Ecad arrecada compulsoriamente em nosso nome e não nos repassa.”

  • Carlos Henrique Machado, 3 de março de 2011 @ 17:39 Reply

    Marisa Gandelman, você diz que tem que deixar a ministra trabalhar. Eu também acho que ela deve trabalhar, porque até então ela se preocupou em desconstruir o que foi construído na gestão anterior.

    O Minc hoje como poder público é um espaço banal, sem solidariedade orgância, pensando como empresa. Ana instalou um nonsenso com a sua quebra de solidariedade social, pois só tem olhos para outros objtivos que são compartimentados pela gula e benefício exclusivo do pensamento único instalado pela indústria cultural. A grande estupidez de Ana e Grassi é tentar fazer do MinC em sua gestão, papel central do dinheiro tornando-se o representante do consumo como um denominador comum pela busca desenfreada de dinheiro. Esta é a única regra que vem dos valores morais em exercício no Minc de Ana e Grassi. Não há nenhuma economia em busca de um campo modernizado, ou será que o MinC imagina que será capaz de produzir um conjunto de fenômenos para estruturar o aumento da produção industrial de cultura? Está atrás da nova classe média das grandes cidades?

    Ana de Hollanda fala de um modo superficial sobre o território da cultura, ela não tem a menor noção de como se processa as perspectivas da sociedade em sua forma fluida em busca de conformar em seu comando, suas próprias atividades. Esse imperialismo que, em consequência, exige de intelectuais subordinação ao mercado está provocando um efeito dominó dentro do MinC. Os dois, Ana e Grassi, agem como Simão Bacamarte, personagem principal do conto “O Alienista” de Machado de Assis. Só que hoje a maioria das correntes políticas do PT está uerendo colocar uma camisa de força nos dois e trancafiá-los no seu próprio arcabouço, longe do MinC e do PT.

  • marisa gandelman, 4 de março de 2011 @ 13:26 Reply

    Carlos, o que voce quer dizer com desconstruir o que foi construído na gestão anterior? Certamente, o que foi construído pela gestão anterior tem seus defeitos e seus problemas que deveriam ser apontados tambem, e não somente as suas qualidades como tem sido feito. Não há gestão que só tenha qualidades e nem somente defeitos. Ao mesmo tempo, qualquer mudança de governo, mudança de regime, mudança de regra de negócio, enfim, mudanças, provocam um processo de destruição criativa. Qualquer nova construção passa pela destruição de alguma coisa que estava antes naquele lugar. Mas, independentemente dessa característica dos processos de mudança, continuo sem saber o que faz voce e muitos outros terem tanta certeza de que o novo ministerio tem como principal objetivo destruir o que foi feito antes. Não pode o novo ministério discordar, procurar seu próprio caminho? O que será que vem se passando nos outros ministérios? Será que todos seguem à risca as políticas, decisões e projetos deixados pela pasta anterior? Não consigo entender aonde vamos chegar com ataques e campanhas para destruir o novo ministério. Voltar tudo ao que era antes? O novo governo tem de obrigatoriamente manter e seguir a risca tudo que foi feito pelo governo anterior somente porque a Dilma foi a candidata apontada pelo Lula? Por ter sido apontada pelo Lula ela não pode ter idéias prórpias, propor mudanças? E quando isso acontece, é retrocesso?

    Penso que devemos observar, como bem disse o Leonardo Brant, e buscar o debate, o diálogo sempre. É claro que o sistema representativo, a democracia que conhecemos, tem suas falhas. Muitas vozes não são ouvidas e a cada tempo, a cada governo, algumas vozes soam mais alto do que outras e vice-versa. O problema dos excluidos, daqueles que não tem suas vozes ouvidas, é uma questão em constante discussão em todo e qualquer regime democrático. Sabemos que no mundo globalizado, ou pelo menos da globalização que tem sido vendida pelos veículos de comunicação como sendo inevitável, como um precesso sem volta em face do qual não há alternativa, até o excluido tem a sua função, isto é, faz parte do jogo para cumprir esse papel de excluido. Muitos autores vem escrevendo sobre isso de forma inteligente, crítica e criativa, muito além da discussão reduzida ao dentro x fora, incluido x excluido, forte x fraco, etc.

    No mundo inteiro os direitos de execução publica de obras musicais são geridos coletivamente por associações de autores e compositores. Existem associações de gestão colectiva dos direitos de autores de obras dramáticas, obras audiovisuais, obras de artes plásticas, enfim, todos os repertorios. Em todos os casos, são organismos não governamentais, sem fins lucrativos, que atuam com exclusividade perante usuários de obras artísticas. Em todos os lugares do mundo há um jogo de forças entre titulares de direitos autorais reunidos obrigatoriamente sob a gestão de um organismo único. Sem dúvida, existem os mais e os menos contentes com as regras e a forma como atuam. Em todos os lugares do mundo existem conflitos entre empresas, multinacionais ou nacionais, cujos principais ativos são catalogos de obras artísticas, e os autores dessas obras. O conflito entre autores, editores, artistas, intérpretes, sobrevive no seio das associações e organizações que atuam com exclusividade perante o publico, ou aos usuários de obras. Em todos os países, a gestão coletiva de direitos autorais passa por questionamentos e disputas que revelam conflitos de interesses e muitos reclamam de não serem ouvidos. Não resta dúvida que a estrutura na qual se funda o sistema de direitos autorais enfrenta desafios complexos que demandam discussão e debate. Mas não resta dúvida tambem que no debate, seja sobre o tema dos direitos autorais, ou sobre qualquer outro tema, muitos têm seu ponto de vista satisfeito e outros não. Tudo isso faz parte do jogo.

    Por isso, não posso deixar de perguntar outra vez. Quem disse que a ministra Ana de Hollanda não deseja dialogar? Quem disse que a ministra Ana de Hollanda tem como projeto destruir tudo que foi feito pelo ministro Juca Ferreira? Por que qualquer mudança que a nova ministra propõe é interpretada como retrocesso? Até quando vamos discutir com base na idéia de que existe uma linha de progresso a ser seguida, sempre para frente, na mesma direção? Por que as propostas do Juca Ferreira representaram progresso e as da Ana de Hollanda retrocesso?

  • Carlos Henrique Machado, 4 de março de 2011 @ 15:21 Reply

    Marisa

    Ana de Hollanda tem uma relação muito pobre com o mundo real, por isso ela vive complementando suas posturas como pano de fundo a unificação monetária da tríade corporativa. Na verdade, o que ela pretende é equalizar uma infraestrutura capitalistas, instituindo no MinC uma constituição de mercado de modo agressivo e, com isso, ela acaba impondo à sociedade brasileira uma subcidadania multinacional. Cultura é movimento de rotação e translação, não anda aos saltos para frente ou para trás. A questão é saber, como instituição, nos situarmos a partir das demandas da sociedade e não querer tirar proveito das relações assimétricas impostas por gangues, grupos empresariais ou corporativas.

    Foi Ana quem começou essa história querendo militarizar o MinC, criou imperativos absolutos, sobretudo tentando neutralizar a informação que hoje é, por natureza, global a grande demanda expressa dos anseios empíricos da sociedade.

    Ana de Hollanda, em obediência às regras sugeridas pelas atividades hegemônicas, deslocou o MinC do espaço comum para as superfícies plantadas, principalmente pelas editoras e gravadoras multinacionais que controlam o Ecad. Isso na esfera político-administrativa da gestão pública é metralhar o próprio povo brasileiro. Foi ela que, com sua formulação automática, seguindo em tese, a nova ordem mundial quis nos devolveu a velha noção de latifúndio. Acabou com a SID, colocou os pontos de culturas no corredor e foi, de peito aberto, a campo para brigar em favor do Ecad com a retirada do Creative Commons, o que significa brigar contra os milhares de criadores nessa redistribuição de poderes do novo MinC.

    Ana não consegue entender a cultura pelas diversas escalas territoriais, sociais e políticas deste Brasil de terras muitas. Sua visão refletida na prática, considera o elenco industrial como princípio incontest da representação cultural do Brasil.

    Os pobres nesse mundo de Ana de Hollanda são indesejáveis, e as teorias sobre a sua forma distintas de buscar conhecimento e integração são a generalização da marginalidade, da pirataria e etc. Infelizmente o MinC hoje é o rádio transmissor das oligarquias das “elites intelectuais” saídas do oráculo das celebridades. Ana hoje vê agravadas sua desproteção política e social justamente por ter adotado como valor imperativo o modelo neoliberal de cultura. E aí a crise se instalou.

    Gil, Juca e Lula que acaba de nomear Emir Sader para presidir o seu instituo, criaram um sistema histórico, não de operação de empresas, mas dos pontos de luz de uma sociedade, valorizando em diferentes localizações um Brasil multidisciplinar com os pontos de cultura.

    Ana quer manter a hegemonia sócio-geográfica ditada pela indústria cultural, fazendo do Brasil não um país soberano do século XXI, mas uma nação mercado dividido em blocos economicamente hegemônicos, ingovernáveis que forçariam todos a transferir seus recursos criativos para o setor econômico.

    Tenho certeza, Marisa, que você sabe do que estou falando e deve também perceber que o modelo que Ana tenta nos devolver está condenado pela sociedade brasileira tal o grau de seu esgotamento. Ana de Hollanda está tentando enfiar goela abaixo o jabá requentado e cheio de bolor. Desculpe-me o termo, mas a sociedade quando reage só está vomitando o que Ana quis obrigá-la a engolir.

  • joao Paulo, 6 de março de 2011 @ 12:42 Reply

    Meus Deus qta confusão, qta ideologia e por tabela qtas noções erradas, por favor leiam mais os comentários de JCLOBO q tentou bravamente dar ordem nesse texto caótico e cheio de bravata política dos anos 90, mas q mesmo assim no momento atual ajuda muito nesse FRONT q virou a nomeação da nova ministra da cultura.
    _Não há LOBBY MULTINACIONAL no ECAD, produto genuinamente Brasileiro, criado aqui, quem o controla são as sociedades autorais, dirigidas por letristas da MPB e suas editoras pessoais e associadas.
    Houve até um presidente de sociedade, diretor de uma MULTI, afastado por problemas sérios com matriz, assim como foram afastados vários Presidentes e ARs de gravadoras nos últimos anos.
    _As sociedades autorais hoje se degladiam pela liderança na assembleia q decide as praticas de distribuição tão contestadas pela sociedade, como cobrar tanto, disso ou daquilo… aliás isso é legislar, o q é proibido por ser o ECAD um orgão executivo.
    _Como por estatuto, um autor ou interprete para se comunicar com o escritório precisa se filiar a uma sociedade, todos os associados trazem parcela de culpa no estado atual das coisas.
    _A reforma da lei autoral do antigo MINC, contempla vários desses pontos discutidos no texto e comentários acima de forma eficaz, e é justamente ISSO Q TODOS DEVERIAM ESTAR FOCADOS. Pois não interessa ao ECAD qqs dessas mudanças.
    _Ainda há tempo de ler enquanto o MINC não tira o texto do site: sss://bit.ly/9EJjFA
    _Por fim: Direito autoral é para o AUTOR, é perfeitamente possível propor a mudança da lei para a inclusão de categorias, mas por enquanto Produtores culturais, designers, promoters, montadores de palco, eletricistas, maquiadores, faxineiros, assessores de imprensa, seguranças Não recebem direito autoral pq NÃO SÃO AUTORES.
    Blogueiros, críticos, jornalistas culturais, por serem escritores tb, poderiam entrar no bolo autoral se conseguissem se organizar, como estão fazendo os roteiristas e os fotografos.
    Mas não há como qq um desses entrar na divisão do Direito Autoral MUSICAL a não ser COMPONDO música ou uma Canção.

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