Pescadores de promessas
É inegável a necessidade premente de levar manifestações culturais marginais para dentro dos grandes templos de saber e formação, quais sejam, as salas de aula.
É inegável a necessidade premente de levar manifestações culturais marginais para dentro dos grandes templos de saber e formação, quais sejam, as salas de aula.
Se hoje o autor ainda tem o que negociar com uma editora ou gravadora, com o fim dos seus direitos patrimoniais nada mais o caberia – a não ser resignar-se com o que lhe oferece o mecenato.
Construir o “novo” passa, de modo inelutável, por um reconhecimento e aprofundamento do veio original, vulgarmente, denominado de velho. Não há, pois, uma inovação sem um respaldo e uma considerável reverência ao que já estava posto.
Nossa ambientação jurídica destoa da realidade, corroborando a tese absurda de que não dependemos culturalmente de outras nações e de que há culturas a serem protegidas por serem “exóticas” e não por fazerem parte de uma necessidade primaz de soberania cultural.
É preciso criar, no seio da máquina governamental, canais que não veiculem apenas idéias, mas que também absorvam e aproveitem as demandas sociais insurgentes.
“A cultura, enquanto negócio, não é rentável. Trata-se de assertiva discutível, mas muito ventilada entre os fazedores culturais e o público em geral. Analisemos esse aspecto, sob o ponto de vista do grande capital”
“Ora, vulgarmente, preenche-se o termo cultura como se este, de uma forma ou de outra, devesse ser produto de uma ação cognitiva de instrução, transmitida pelo “oligopólio” que comporta mestres, doutores e afins. Justamente nesse ponto encontra-se o fator decisivo de confusão dos dois movimentos: a ação cultural e o périplo educacional.”
“A diversidade é, por assim dizer, a mola-mestra de um desenvolvimento que se pretende sustentável, e, em parceria com a ética, que se apreende com o convívio social, torna qualquer passo um passo que deixa marcas, pegadas pesadas de pés que não passaram ali por engano, mas que procuram o caminho certo.”
“Todos os indícios levam-nos a crer num eterno descompasso entre os avanços e os retrocessos, nas práticas e nas intermediações culturais, respectivamente.”
“A maior expressão da sagrada mitologia capitalista, talvez, advenha da sacralização da aparência em detrimento da essência. Vende-se a imagem antes do bem culturalmente confeccionado.”
Até que ponto uma inclusão digital implicaria em uma inclusão social?
Um novo cenário cultural começa a se desenhar no Brasil, onde a criatividade é chave para a troca da cultura submissa e irresponsável por um engajamento lateral